Malba Tahan

Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan, ou simplesmente Malba Tahan (crente de Allah e de seu santo profeta Maomé) é o pseudônimo do escritor brasileiro Julio Cesar de Mello e Sousa.

Quando Julio Cesar de Mello e Sousa criou o pseudônimo Malba Tahan, não queria apenas criar um pseudônimo, mas fazer com que ele parecesse real, como se houvesse realmente existido uma pessoa com esse nome, uma mistificação literária. Passou então a estudar a cultura e a língua árabes durante 7 anos (1918-1925), para que pudesse inventar a biografia de Malba Tahan e para que seus contos árabes fossem convincentes em termos de estilo, linguagem e ambientação.

O primeiro livro escrito como Malba Tahan, Contos de Malba Tahan, logo na primeira página, aparece a ilustração de um árabe (de turbante e longas barbas brancas) escrevendo.

Assim, durante muitos anos o público acreditou que Malba Tahan fosse esse árabe de longas barbas brancas e turbante. Julio Cesar e Malba Tahan passaram a ser então duas pessoas diferentes, havendo aí uma fusão entre o real e o fictício. Por esse motivo, Julio César de Mello e Sousa foi autorizado pelo Presidente Getúlio Vargas a utilizar livremente o nome Malba Tahan, e esse nome é acrescentado em sua carteira de identidade.

Biografia

Malba Tahan (crente de Allah e de seu santo profeta Maomé) é um “famoso escritor árabe”, que nasceu na Península Arábica, em uma aldeia conhecida como Muzalit, próxima do centro islâmico dos muçulmanos, a cidade de Meca, em 6 de maio de 1885.

Ainda muito jovem, ele foi convidado pelo emir Abd el-Azziz ben Ibrahim a ocupar o posto de queimaçã, ou seja, prefeito, de Deir el-Medina, município da Arábia. Exerceu seu cargo, ou melhor, suas funções administrativas com inteligência e habilidade. Conseguiu também poupar incidentes entre peregrinos e autoridades locais e buscou dar amparo aos estrangeiros que visitavam os lugares sagrados do Islã.

Malba seguiu seus estudos por Cairo (Egito) e Istambul (Turquia) até receber uma vultosa herança de seu pai e resolver viajar pelo mundo, passando pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil.Em 1921 na Arábia Central, lutou pela liberdade de uma minoria da região da Arábia Central.[1][2]

Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco (outro pseudônimo de Julio Cesar de Mello e Sousa).

O Personagem

Julio César criou o “famoso escritor árabe” Malba Tahan por acreditar que um escritor brasileiro não chamaria atenção escrevendo contos árabes. Para dar mais verossimilhança à história criou também um tradutor para os livros, o Professor Breno Alencar Bianco.

Malba Tahan significa “O Moleiro de Malba”, sendo Malba a denominação de um povoado ao sul da Arábia, e “Tahan” significa moleiro, aquele que prepara o trigo. A palavra Tahan foi tirada do sobrenome de uma de suas alunas (Maria Zachsuk Tahan).

Em entrevista concedida a Silveira Peixoto e a Monteiro Lobato e descrita no Terceiro Volume da obra “Falam os Escritores”[3] em 1941, Mello e Souza narra o nascimento de Malba Tahan:

Curiosidade

A partir de 1918, Júlio César passou a colaborar no jornal O Imparcial, onde publicou seus primeiros contos com o pseudônimo R. S. Slade. Nesta época começou a estudar e se aprofundar aos os aspectos da cultura árabe e da oriental. E em seguida, propôs a Irineu Marinho, dono do jornal carioca A Noite, uma série de "contos de mil e uma noites".  E surgiria ai o escritor fictício Malba Tahan, que assinava os contos que foram publicados com comentários do igualmente fictício Prof. Breno de Alencar Bianco. Seu pseudônimo tornou-se tão famoso que o então Presidente Getúlio Vargas concedeu uma permissão para que o nome aparecesse estampado em sua carteira de identidade.

Legados

  • Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento – 6 de maio – foi decretado como o Dia do matemático (ou Dia da matemática) pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.[4]
  • Malba Tahan é nome de escola no Rio de Janeiro, de uma escola municipal de ensino fundamental em São Paulo/SP e de uma Biblioteca Municipal em São Bernardo do Campo/SP.[4]

Obras

Julio Cesar escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros (sendo 69 de contos e 51 de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil), tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. Os livros assinados apenas como Malba Tahan trazem fábulas e lendas passadas no Oriente, à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Ano de Lançamento Título Gênero Descrição
1925Contos de Malba Tahan
  • Somente o primeiro volume foi assinado pelo Prof Mello e Souza. A partir do 2o, foi assinado por Malba Tahan
  • Com esse livro iniciou Malba Tahan a sua carreira literária.
1927Céu de Allah Contos orientais. Figuram nesse livro, além de vários outros, três contos famosos: “O livro do destino”, “Os três homens iguais” e “O mendigo das moedas de ouro”. Menção honrosa da ABL.
1929Amor de beduínoContos orientaisPrefácio do saudoso Prof. Jean Achar. Capa do professor Chamberland. Os contos foram incluídos em outros livros. É obra muito rara.
1929Lendas do desertoContos orientais
1931Mil Histórias Sem Fim, vols 1 e 2
1931Mil Histórias Sem Fim, vols 1 e 2
1933Lendas do céu e da terra Lendas cristãs
  • Livro aprovado pela igreja católica.
  • Alguns trechos desse livro já foram citados por ilustres e brilhantes pregadores brasileiros.
  • Adotado como livro de leitura em muitos colégios religiosos do Brasil.
1933Lendas do oásisContos orientais
1935MaktubLendas orientaisContém uma carta-prefácio do General Turco Khara Ulugberg.
1935Amigos MaravilhososNovela infantilTodos os episódios são ocorridos no interior do Ceará.
1936Alma do orienteContos orientaisNotas curiosas sobre a vida árabe e os nômades do deserto.
A pequenina luz azulConto infanto-juvenil de origem árabe
1937Novas Lendas do DesertoContos orientaisOs contos que figuram neste livro passaram para outros do mesmo autor.
1938O Homem que Calculava: aventuras de um singular calculista persaRomance
1939Paca, Tatu...Contos infantisContém um apêndice no qual figuram sugestões e indicações metodológicas sobre a Arte de Contar Histórias. Foi incluída na parte final a história, “História da Onça que queria acordar cedo”, na qual são estudadas as vozes dos animais.
1941A sombra do arco-íris, vols 1, 2 e 3Novela oriental para adolescentes
  • Obra em três volumes, com prefácio do autor.
  • Neste livro estão incluídos 870 poetas brasileiros e mais de 100 poetas estrangeiros.
  • Figuram no livro os versos mais famosos da língua portuguesa.
1943Lendas do povo de Deus
  • Contos yidsches. Preces, lendas, parábolas e alegorias israelitas extraídas do Talmude, da Bíblia, de livros santos e das principais antologias judaicas.
  • Figuram nessa obra lendas judaicas e algumas parábolas de Jesus.
1943O Livro de AladimContos orientaiscontem várias notas sobre o Islam.
O Rabi, o Cocheiro e os Anjos de Deus.Contos idsche, para adolescentes, e adultos
Os Sonhos do LenhadorConto chinêsComo pode um juiz fazer justiça equiparando a realidade ao sonho.
1947O Guia CarajáLenda do sertão do Brasil
1947O Inferno de Dante (vols 1 e 2)Tradução anotada e Comentada sob a forma de narrativa. Com a biografia completa de Dante Alighieri.
1950A Caixa do Futuro
1951Lendas do bom rabiSeleção de contos
1951Minha vida queridaPrecedido do artigo Radia! Radia! (O Poeta das três Recusas) e biografia de Malba Tahan.
1954Aventuras do rei BaribêRomance oriental infanto-juvenilNesse livro foi incluída a famosa lenda sobre a origem da palavra xibolete.
1954SeleçõesUma seleção dos melhores contos
1955Meu Anel de Sete PedrasEstudos relacionados com o folclore da Matemática. Adivinhas populares. Unidades pitorescas. Problema da Besta do Apocalipse, etc...
1955A LuaAstronomia dos Poetas Brasileiros. Estudo da Lua. Lendas e tradições sobre a Lua. A Lua e os mitos simbolismo da Lua. O folclore e a lua. A Lua e o luar na poética brasileira. Erros, crendices e superstições. A verdade sobre a lua.
1955Sob o Olhar de DeusRomance
A Girafa CastigadaConto infantil inspirado no Evangelho
Al-KarismiAssunto: Recreações Matemáticas
LilavatiAssunto: Recreações Matemáticas
1956Mil Histórias sem Fim
1958Caixa do futuroNovela infantilNesse curioso romance aparece um país chamado Brenan, onde tudo é brenan.
1959Novas Lendas OrientaisFiguram nesse livro, as lendas mais curiosas do Oriente: “A Primeira Rúpia”, “Treze, Sexta Feira”, “Uma Aventura de amor no Reino do Sião”, etc...
1959O Bom CaminhoCompêndio para educação moral e religiosaPara o Curso Ginasial. Livro aprovado pela Igreja Católica.
1962Terceiro MotivoConto e lendas orientais
O Tesouro de BresaConto que vem relembrar a velha Babilônia
1967A Estrela dos Reis Magnos
1967Romance do Filho PródigoRomancebaseado na parábola do filho pródigo, que é uma das páginas mais comoventes do Evangelho.
1967Ainda não Doutor
1969NumerologiaCuriosidades matemáticasSete notáveis preceitos sobre o nome. A numerologia e seu segredo. O número da Besta do Apocalipse. Os números do Apocalipse. Como proceder ao estudo numerológico do nome.
1970IazulSeleção dos mais curiosos e atraentes contos orientais
1970Salim, o MágicoNovela ocorrida durante o califado El-Walid, de Damasco, na qual, mercê de acontecimentos dramáticos de absoluta singularidade, um crente de Allah atinge o apogeu do prestígio e da gloria ocupando os mais altos cargos da corte.
1970O Mistério do MackensistaEstranho caso policial verídicoTrata-se de um livro profundamente humano cuja finalidade é lutar com desassombro por uma causa nobre (reabilitação dos hanseniano). É livro que encerra muitas curiosidades revestidas do mais alto espírito de veracidade.
1974Belezas e Maravilhas do Céu
A História Da Onça Que Queria Acordar CedoConto para criançaA sua finalidade precípua é ensinar ao pequenino leitor mais de cem vozes de animais.

Referências

  1. '"Biografia de Malba Tahan". IN: Minha Vida Querida. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1959. p. 5-6.
  2. Olegário Mariano. "Malba Tahan". IN: Lendas do Deserto. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1959. p. 5-7.
  3. PEIXOTO, Silveira. Falam os Escritores. 3.v. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1971-1976.
  4. Site do Instituto de Matemática da UFRGS
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