Mané Galinha
Manoel Machado Rocha,[1] mais conhecido como Mané Galinha[1] (Rio de Janeiro, 12 de maio de 1952 - Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1979) foi um criminoso brasileiro que dominava parte do então sub-bairro Cidade de Deus (que viraria favela), na cidade do Rio de Janeiro no final dos anos 1970.
| Mané Galinha | |
|---|---|
| Nome | Manoel Machado Rocha |
| Pseudônimo(s) | Mané Galinha |
| Data de nascimento | 12 de maio de 1952 |
| Local de nascimento | Rio de Janeiro, Rio de Janeiro |
| Data de morte | 30 de setembro de 1979 (27 anos) |
| Local de morte | Rio de Janeiro, RJ |
| Nacionalidade(s) | brasileiro |
| Ocupação | Chefe de grupo criminoso |
| Crime(s) | Assalto, homicídio, tráfico de armas e drogas |
Ficou mais conhecido em 2002, ao ser retratado no filme Cidade de Deus onde é interpretado por Seu Jorge, que o mostra combatendo outro criminoso, Zé Pequeno (José Eduardo Barreto Conceição) inimigo declarado dele por vingança do estupro da sua esposa. Embora o Mané Galinha do filme seja inspirado no bandido real, ele foi retratado de forma semificcional.
Biografia
Mané Galinha iniciou carreira criminosa como assaltante já como menor e foi preso por inúmeras vezes. Entrou no Exército Brasileiro aos 18 anos, servindo por alguns anos no batalhão de infantaria. Foi o melhor atirador combatente da sua unidade no ano de sua incorporação.[carece de fontes]
A certo ponto, Mané Galinha teve sua namorada brutalmente violentada pelo bando do Zé Pequeno depois dela rejeitar o pedido de namoro de Zé quando o casal foi sequestrado. Após o fato, munido como justiceiro, entrou em um dos locais que o bando do Zé Pequeno estava e disparou dezenas de tiros, matando dois e colocando em fuga dezenas deles. Após o ataque a tiros ser rapidamente espalhado pelo bairro, um líder do tráfico de drogas que era assediado constantemente pela quadrilha de Zé Pequeno para entregar sua boca de fumo o convidou a entrar no bando. Mané chegou a relutar, mas depois aceitou. Os fatos são retratados filme Cidade de Deus.[carece de fontes]
Em pouco tempo, Mané Galinha por ser muito conhecido, passou a liderar seu grupo e praticar assaltos em bairros nobres e bancos para comprar armas e financiar seu grupo. Começou a atacar a quadrilha de Zé Pequeno na Cidade de Deus para tomar controle das áreas do então bairro e as bocas de fumo do rival. O grupo liderado por Mané Galinha foi o primeiro do crime organizado na cidade a obter, de forma ilícita, armas de grosso calibre (escopetas, metralhadoras e fuzis). Até então, os bandidos usaram apenas revólveres.[carece de fontes]
Entre as características em comum entre o Mané Galinha real e o do filme estão o fato de ter sido querido pela comunidade, embora fosse bandido, contrastando com o temor provocado pelo seu inimigo Zé Pequeno. Contemporâneos do criminoso afirmaram que o bandido começou a apresentar problemas emocionais após ter matado acidentalmente uma menina na Cidade de Deus em um tiroteio.[carece de fontes]
Em 22 de maio de 1979, foi preso pelos policiais do 32º Distrito Policial do Jacarepaguá, próximo à Cidade de Deus,[2] mas foi solto por ordem judicial.
Assassinato
Em 8 de setembro de 1979, Zé Pequeno e sua quadrilha foram à residência de Mané Galinha, após descobrirem seu verdadeiro endereço. Ao vê-lo sair, o surpreenderam e o crivaram de balas na frente dos pais e irmãos menores,[3] fato esse que inspirou cena do filme Cidade de Deus, onde aparece o irmão dele sendo morto após esfaquear o Zé Pequeno.[carece de fontes]
Após o assassinato de Mané Galinha, o criminoso conhecido apenas como Aílton Batata sucedeu a liderança da sua quadrilha e prometeu vingar a morte de Mané Galinha em meio à guerra contra Zé Pequeno e Luís Carlos de Oliveira Lelis (Bingo de Torneira).[3]
Em 8 de março de 1980, um integrante da quadrilha de Zé Pequeno chamado Jorge Rodrigues Barbosa, o Timbó (nascido em 1954), que dominava a quadra 13 (Triagem) no bairro, foi preso por policiais do Destacamento de Policiamento Ostensivo da PM da Cidade de Deus após denúncias anônimas. Ele assumiu ter dado dois tiros mortais contra o rosto de Mané Galinha, como também assumiu ter matado outros dois bandidos conhecidos na época, em sua defesa timbó disse"todos os que matei eram bandidos, se for preciso mato mais 20 ou 30",Gilson Guedes da Silva, o Índio, e Jairzinho. Também afirmou que só matava bandidos.[4]
Família
Mané Galinha tinha pai, mãe e irmãos menores,[3] entre eles Gelson Machado da Rocha (?-5 de março de 1980) que tentou chefiar o grupo liderado pelo seu irmão (que acabou sendo sucedido por Aílton Batata), mas foi assassinado por Vanderley de Oliveira, o Belei, depois de incendiar a casa dele.[5]
Referências
- Bartolomeu Brito, Cidade de Deus é comunidade onde só o crime se organizou, Jornal do Brasil, 30 de setembro de 1979 (Primeiro Caderno, página 22). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 10 de outubro de 2017
- QUADILHA, Jornal do Brasil, 23 de maio de 1979 (Primeiro Caderno, página 24). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 9 de outubro de 2017.
- «030015_09 - DocReader LIGHT». memoria.bn.br. Consultado em 4 de julho de 2017
- «030015_10 - DocReader LIGHT». memoria.bn.br. Consultado em 14 de julho de 2017
- Investigação leva à prisão de dois, Jornal do Brasil, 6 de março de 1980 (Primeiro Caderno, página 26). Disponível aqui no memoria.bn.br. Consultado em 17 de outubro de 2017