Meinedo

Meinedo é uma freguesia portuguesa do município de Lousada, com 8,43 km² de área e 3 803 habitantes (2021). A sua densidade populacional é 480,7 hab/km².

 Portugal Meinedo 
  Freguesia  
Igreja Matriz de Meinedo
Igreja Matriz de Meinedo
Símbolos

Bandeira

Brasão de armas
Gentílico Magnetense
Localização
Localização no município de Lousada
Localização no município de Lousada

Meinedo
Localização de MeinedoMeinedo em Portugal
Coordenadas 41° 14' 54" N 8° 15' 27" O
Região Norte
Sub-região Tâmega e Sousa
Distrito Porto
Município Lousada
História
Fundação Primeiras referências no século VI d.C.

Em 1113 o Bispo do Porto, D. Hugo, recebe de D. Afonso Henriques o Couto do Mosteiro de Santo Tirso de Meinedo.

Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente Nuno Ferreira (PS)
Características geográficas
Área total 8,43 km²
População total (2021) 3 803 hab.
Densidade 451,1 hab./km²
Código postal 4620 Lousada
Outras informações
Orago maior Santa Maria Maior (Nossa Senhora das Neves)

Santa Tirso

Sítio www.jf-meinedo.pt
Facebook - Junta de Freguesia de Meinedo


Situa-se aproximadamente a 6 km da sede de concelho (Lousada). Esta freguesia confina com as freguesias de Boim, Pias, Caíde de Rei, Aveleda e Lodares, pertencentes igualmente ao concelho de Lousada e a freguesia de Bustelo, pertencente ao concelho de Penafiel.

Meinedo é a freguesia do concelho de Lousada com mais valor histórico. Primitivamente, denominada Magneto, a freguesia de Meinedo já vem referenciada, no século VI, como sede de diocese (diocese de Magneto ou Magnetum), no Segundo Concílio de Braga (ano de 572) e, como paróquia, na Divisio Theodomiri, mais conhecido por Parochiale suevorum (redigido entre 572 e 589).

Meinedo terá sido, segundo toda a probabilidade, a primeira da Diocese do Porto.

O primeiro Bispo de Magneto foi Viator (ou Victor), que esteve presente no segundo concílio de Braga, em 572, e que subscreveu como:

“ Viator Magnetensis ecclesiae Episcopus his gestis subscripi”[1]

A diocese foi entretanto transferida para Portucale, estando na origem da atual diocese do Porto.

A Diocese de Magneto ou Magnetum nunca foi oficialmente extinta pelo Vaticano, tendo sido restaurada em 1970, sendo atualmente o seu bispo, o monsenhor César Garza Miranda, O.F.M. (17 de Outubro de 2020 – presente).

Etimologia e Gentílico

A transformação de Magneto em Meinedo, denota a sua origem germânica, onde o "g" apresenta o valor fonético de "i" e não de "g".

Avieno, na sua obra geográfica Ora marítima, refere-se, várias vezes, aos Magnetes, povos gregos da cidade de Magnésia, na Eólida. O que nos poderá fazer pensar na ocupação dos gregos por Meinedo, derivando daqui o nome de Meinedo. O próprio nome do rio Sousa, rio que atravessa esta freguesia, tem também origem na língua grega.

História Administrativa, Biográfica e Familiar

Meinedo antes da ocupação romana

Ainda antes da ocupação romana Meinedo teria sido um povoado castrejo de relativa importância. Em Meinedo teriam vivido tribos primitivas celtas e, provavelmente, os bracari, ramo dos Gallaeci. Estes povos, geralmente, ocupavam locais altos e sobranceiros a pequenos cursos de água, ou perto de nascentes e de terrenos de cultivo. Construíam o seu povoamento, o castro, que fortificavam para defesa das tribos vizinhas.

Poucos vestígios, ou nenhuns, deixam perceber a existência de um pequeno castro da Idade do Ferro, num local sobre o Lugar da Sanguinha, onde o atual cemitério e várias construções modernas fizeram com que desaparecessem esses raros vestígios, restando como testemunho, restos de cerâmica e algumas mós.

Meinedo sob o domínio romano

O centro romano de Meinedo, ou a villa mais importante, localizar-se-ia onde atualmente se encontra a Quinta de Padrões, Igreja e a Casa da Renda. Nesta área foram descobertos diversos materiais como, telha de rebordo abundante, a tegula romana, tijolos de tamanho e grossuras várias, o latercottus, em que em muitos se encontra a marca do oleiro, littera figulina, e grandes pedaços de argamassa feita de cal e cacos de telha, um grupo de pequenas mós, a mola manuária, e ainda fragmentos duma calha aberta em pedra. Há uns anos atrás, na Casa do Vilar, ao ser desmantelado um lagar, nas suas fundações foram descobertas, ânforas e sarcófagos. Estes achados reforçam a hipótese da existência, no mesmo local, de uma villa rustica.

Esta civitate (cidade) teria a sua importância estratégica. Aqui se bifurcava a estrada romana que vinha de Braga após atravessar o rio Sousa no lugar de Espindo, onde existe a Ponte de Espindo (romana ou medieval).

Meinedo no Período Bárbaro

O centro de Meinedo, que os romanos transformaram em villa, teria sido continuado pelos suevos que aqui se instalaram. A sua importância foi grande, pois o seu nome vem mencionado na lista de freguesias de que se compunha o bispado do Porto, no Parochiale suevorum ou Divisio Theodomiri, entre os anos 572 e 582, onde fixaram o número de Paróquias que deveriam pertencer a cada diocese.

Nesta altura a diocese de Braga compreendia a Galiza, as Astúrias, e grande parte da Lusitânia, até ao rio Mondego. Como era um território muito extenso e não tinha um número suficiente de bispos, Teodomiro reconheceu a necessidade de ampliar o quadro dos prelados.

Porque era muito pesado para os bispos fazerem longas e cansativas viagens para participarem, todos os anos nos concílios periódicos de Braga, aqueles prelados reuniram-se em Lugo e elevaram a cidade à categoria de metrópole. Neste Concílio (II Concílio de Braga) deu-se a divisão eclesiástica do reino suevo em dois sínodos, o bracarense e o lucense. O sínodo lucence ficou com Orense, Astorga, Iria, Tui e Britónia e o de Braga com, as sufragâneas de Coimbra, Viseu, Dume, Lamego, Meinedo e Idanha.

Pela extensão da diocese assim foi criado, entre outros o bispado de Magneto, como anutou Luitprando,

“ In divisione Episcopatuum sub Theodomiro Sueuocrum Rege, Magnetum Edpiscopatus Portuensis oppidium; quod marui vocauerunt Maulhoee sed sedis Edpiscopalis durauit paruum”[2]

Em Meinedo o poder eclesiástico suevo teve o seu auge na sétima década do século VI. Foi sede da diocese, sufragânea da de Braga, cujo primeiro bispo foi Viator (ou Victor), que esteve presente naquele concílio de Braga, em 572, e que subscreveu como, “ Viator Magnetensis ecclesiae Episcopus his gestis subscripi”[1], conjuntamente com os bispos de Braga, Viseu, Coimbra, Idanha e Lamego.

A existência de um bispo em Meinedo, confirma que esta povoação era já uma comunidade cristã organizada.

No entanto, no concílio seguinte, o III Concílio de Toledo, em 589, já não aparece mencionado o Mosteiro de Santo Tirsode Meinedo. No entanto é também curioso manter-se o título, na atualidade, de bispo magnetense, na figura de Monhesenhor César Garza Miranda, atribuído pela Cúria Romana, considerando que a Diocese de Meinedo nunca foi extinta e nunca deixando de lhe nomear os respetivos bispos.

População

População da freguesia de Meinedo [3]
1864 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021
1 388 1 508 1 558 1 629 1 691 1 918 2 271 2 505 2 791 3 250 3 677 3 891 4 278 4 052 3 803
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 875 694 2 226 483 20,5% 16,2% 52,0% 11,3%
2011 650 551 2 274 577 16,0% 13,6% 56,1% 14,2%
2021 456 443 2 128 773 12,0% 11,6% 56,1% 20,3%

Património

Instituições de cariz cultural

  • Associação de Desenvolvimento e Apoio Social de Meinedo (ADASM)
  • Grupo Folclórico e Cultural "As Lavradeiras do Vale do Sousa"
  • TEM "Teatro Experimental Magnetense", Grupo de Teatro
  • Juventude Desportiva de Meinedo
  • Futebol Clube Romariz
  • Confraria do Bazulaque de Magneto
  • Grupo de Escuteiros (agrupamento 1095-Meinedo)
  • Clube de Tunning de Meinedo
  • Associação Cultural e Recreativa Renascer da Primavera
  • Grupo coral de Meinedo
  • Lugar para ficar os cotas

Referências

  1. Fortunato de Almeida - História da Igreja em Portugal, I, p.69; Cardeal Saraiva - Obras Completas, Tomo I, p.44; Domingos de Pinho Brandão - O Bispado de Meinedo...., «Actas do II COngresso Nacional de Arqueologia», Coimbra, 1971, p. 627; Fr. Bernardo de Brito - ob.cit.,vol. II, p.289
  2. Manuel Pereira de Novais - Agiológico, p.279
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

http://silvares-lousada.blogspot.pt/

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