Carya illinoinensis
Nogueira-pecã (ou pecan), cujo nome científico é Carya illinoinensis é uma árvore nativa do Norte do México, que produz cerca de metade do total mundial, e Sul dos Estados Unidos na região do rio Mississippi (Geórgia, Novo México e Texas).
| Pecã | |||||||||||||||
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![]() Pomar de nogueiras-pecãs Lyndon B. Johnson National Historical Park | |||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||
| Segura | |||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||
| Carya illinoinensis (Wangenh.) K.Koch | |||||||||||||||


Origem da espécie
No estado americano do Texas, fósseis de árvores da família Juglandaceae foram encontrados nas formações rochosas do período do Cretáceo inferior (compreende o período entre 145 milhões e 100 milhões e 500 mil anos atrás, aproximadamente) no condado de Lampasas, Texas (STUCKEY; KYLE, 1925). Acredita-se que o ramo da família Juglandaceae ao qual pertence a nogueira-pecã (Carinae) evoluiu de ancestrais primitivos, há cerca de 70 milhões de anos e os primeiros indivíduos foram distribuídas pela América do Norte e Eurásia (MANCHESTER, 1987). Este mesmo autor afirma que os espécimes que remontam a 34 milhões de anos foram encontrados na Alemanha e China. Wells (2017) relata que houve uma era de glaciação há 2 milhões de anos atrás na Europa, extinguindo todos os indivíduos desta família nestes dois países, mas permaneceram na América do Norte.
Características botânicas
A Carya illinoinensis é uma planta arbórea (espécime de grande porte, podendo atingir mais de 40m de altura), perene (do Latim per, “por”, annus, “anos” é a designação botânica conferida a plantas que vivem por mais de dois anos/dois ciclos), caducifólia (sin. decídua, planta que perde suas folhas no período de repouso vegetativo) e monóica (sin. monoécia, planta que apresenta flores estaminadas e pistiladas no mesmo indivíduo). Esta planta frutífera possui fase vegetativa, reprodutiva e senescência (cada uma dotada de distintos estágios), passando por um período de dormência vegetativa, período este em que o crescimento meristemático é praticamente nulo.
O sistema radicular da nogueira-pecã é vigoroso, formado pela raiz principal, que cresce de forma descendente no solo e determina a profundidade da penetração radicular, podendo aprofundar-se até 10m. Enquanto muda, o tronco da nogueira-pecã tem coloração marrom, conforme há crescimento, este torna-se acinzentado, com textura lisa, exibindo inúmeras bifurcações quando deixado crescer naturalmente. Quando a planta estiver adulta o tronco adquire coloração marrom e textura áspera, com desprendimento de pequenas escamas ou placas. Normalmente os ramos são longos e apresentam forte dominância apical.
A inflorescência estaminada é uma espiga indefinida (sin. rácemo, racemo, racimo ou cacho) comumente chamada de amento ou amentilho. A inflorescência pistilada é em forma de espiga, crescendo no ápice dos ramos herbáceos. A noz é classificada botânicamente como uma drupa seca, de acordo com a cultivar possui formato variável (cilíndrico, mais alongado até oval), o ápice da noz é pontiagudo, com tamanho variando de 2,0 cm a 7,0 cm de comprimento e 1,5 cm a 3,0 cm de diâmetro.

Polinização
Na nogueira-pecã a polinização é anemófila (WOOD, 2000), podendo o vento transportar o pólen da pecã por até 900m. Cabe ressaltar que em cultivos comerciais onde as árvores são plantadas em blocos, quando a distância da cultivar polinizadora é superior a três fileiras da cultivar principal (50m) há significativas perdas na produtividade, ocasionado pela deficiência na polinização (WOOD, 1996).
Dicogamia
A nogueira-pecã é uma planta monóica, possui as flores masculinas e femininas na mesma planta, porém, estas amadurecem em períodos diferentes. Essa diferença no período de maturação das flores é chamado de dicogamia. Especificamente na pecã, existe dicogamia do tipo protândrica (onde as inflorescências masculinas amadurecem primeiro) e dicogamia do tipo protogínica (onde as inflorescências femininas amadurecem primeiro).
É a presença de dicogamia na nogueira-pecã que faz com que em pomares comerciais tenhamos mais de uma cultivar, a fim de proporcionar uma melhor polinização.
Cultivares
No Brasil, a pecã foi introduzida por volta de 1866, por imigrantes norte-americanos que vieram para o Brasil após a Guerra Civil Americana (1861-1865).[1]
No Brasil há 41 cultivares registradas no RNC, destas, cerca de 15 são cultivadas comercialmente no país.Atualmente as cultivares mais plantadas no Brasil são: Barton, Shawnee, Melhorada, Imperial, Importada, Desirable, Jackson, Choctaw, Success, Mahan (MARTINS, 2018).
Propagação
A propagação da nogueira-pecã normalmente é realizada por enxertia de borbulhia no verão ou por garfagem no inverno, sobre porta enxertos oriundos de sementes.

Espaçamento
O espaçamento utilizado entre árvores depende da fertilidade do solo, porta-enxerto, tipo de projeto, intensidade de mecanização, etc. Atualmente há vários espaçamentos utilizados em pomares brasileiros, variando de 6 m x 6 m, 7 m x 7 m, 6 m x 9 m, 10 m x 10 m, 12 m x 6 m, 12 m x 9 m, 12 m x 12 m, 15 m x 15 m.
Usos da noz-pecã
As amêndoas normalmente são consumidas na forma “in natura”, em bolos, tortas, entre outros.
| Informação nutricional de Carya illinoinensis Porção de: 100g | ||
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| Quantidade por porção |
VD% | |
| Valor energético | 2891 kJ | ** |
| Proteínas | 9 g | ** |
| Carboidratos | 14g | ** |
| Gorduras Saturadas | 6 g | ** |
Galeria de fotos
Frutos verdes da pecan
Frutos maduros da pecan numa árvore
Ritidoma da nogueira-pecan
Folhagem da nogueira-pecan
Flores da Pecan em uma árvore
Noz inteira da pecan com a casca (endocarpo)
Noz exposta da pecan
Torta de pecan
Referências
- «A nogueira pecan e a permanência do homem no campo». Destaque rural. 16 de março de 2017. Consultado em 29 de setembro de 2020
Bibliografia
- MANCHESTER, S.R..The fossil history of the Juglandaceae. Monogr. Systematic Bot. Missouri Bot. Gardens, St. Louis. 21:1–37. 1987.
- MARTINS, C. R. Pesquisa, produção e mercado da noz-pecã no Brasil. I Simpósio Sul-Americano da Cultura da Noz-pecã. Anta Gorda, RS, Brasil. 76p. 2018.
- STUCKEY, H. P.; KYLE, E. J. Pecan Growing. The Rural Science Series. The Macmillian Company, New York, 1925. 286p.
- WELLS, L. Pecan. America’s Native Nut tree. University of Alabama Press. 2017. 264p.
- WOOD, B. W. Cross-pollination within pecan orchards. Hortscience. v. 31 n. 4. 583. 1996
- WOOD, B.W. Pollination characteristics of pecan trees and orchards. HortTechnology, v.10, n.1, p.120-126, 2000.<br
Ligações externas
- Histórico - Divinut - Portal da Noz-pecã
- Pecan - Northeastern Area State and Private Forestry
- Origem da espécie; Polinização; Dicogamia; Cultivares; Espaçamento - Jonas Janner Hamann
