Rafael Duque
Rafael da Silva Neves Duque GCC (Torres Novas, Chancelaria, Mata, 3 de Fevereiro de 1893 (tendo sido batizado a 23 de Fevereiro de 1893) — Freguesia das Mercês, Lisboa, 28 de Abril de 1969), mais conhecido por Rafael Duque, foi um advogado e proprietário agrícola, dirigente associativo e político ligado ao regime do Estado Novo.
| Rafael Duque | |
|---|---|
![]() Rafael Duque | |
| Nascimento | 3 de fevereiro de 1893 Torres Novas |
| Morte | 28 de abril de 1969 Lisboa |
| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | político, advogado, agricultor |
| Prêmios |
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Entre outras funções de relevo, foi membro da direcção da Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1936-1937), deputado à Assembleia Nacional e procurador à Câmara Corporativa,[1] presidente da Câmara Municipal da Chamusca, ministro da Agricultura e ministro da Economia,[2] tendo neste penúltimo cargo assumido um papel preponderante no estabelecimento das políticas agrária e cerealífera do Estado Novo[3] e na continuação das campanhas do trigo (a primeira realizou-se em 1929).
Biografia
Rafael Duque nasceu no lugar da Mata, freguesia de Chancelaria, no concelho de Torres Novas, filho de João da Silva Duque, proprietário rural, e de Ana Rosa das Neves, doméstica.[4]
Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde conheceu António de Oliveira Salazar, seu professor de Economia e apenas quatro anos mais velho, com quem estabeleceu duradouros laços de amizade.
Concluído o curso instalou-se como advogado[5] na comarca de Torres Novas, exercendo advocacia em Torres Novas, Golegã, Tomar e Santarém.[1] Casou em Lisboa a 4 de Julho de 1920 com Maria Rosa de Oliveira, natural do Chouto, Chamusca, passando o casal a ser proprietário de uma das mais importantes casas agrícolas do concelho da Chamusca.
Com interesse pela política[5] e de pendor conservador, na vigência da Primeira República Portuguesa por diversas vezes no período de 1920 a 1924, exerceu o cargo de chefe do gabinete do Ministro do Trabalho Júlio Ernesto de Lima Duque, de quem era primo. Nessa época foi ainda governador civil do Distrito de Leiria (1924)[1] e militante do Partido Nacionalista, em cujas listas foi candidato a deputado ao Congresso da República (1925).
Foi Presidente da Câmara Municipal da Chamusca (1926-1929),[1] tendo nessas funções apoiado o golpe de 28 de Maio de 1926 e a instauração do regime da Ditadura Nacional. A sua influência foi fundamental para a restituição da freguesia de Vale de Cavalos a este concelho, pondo termo ao polémico período de sete anos em que esta freguesia esteve integrada no novo concelho de Alpiarça (por pressão de José Relvas, importante político republicano). Durante a sua presidência, o concelho conheceu grande progresso, nomeadamente em áreas como o abastecimento de água e a distribuição eléctrica. Foi também influente no âmbito do associativismo agrícola, exercendo as funções de director da Federação dos Viticultores do Centro e Sul de Portugal.
A sua ligação à agricultura, a sua influência nas associações agrícolas e ligação pessoal a Oliveira Salazar levou a que em 1934, na fase de arranque do Estado Novo, fosse convidada para o influente cargo de Ministro da Agricultura.[5] Nessas funções, inicia um conjunto de medidas inovadoras, as primeiras medidas de política agrária e fundiária do novo regime visando a modernização da agricultura portuguesa e o desenvolvimento de um plano florestal para Portugal. A sua acção política esteve na origem da plantação do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa. Impulsionador de numerosas reformas na legislação agrícola, Plano Hidráulico, a Lei da Reconstituição Económica e o Decreto de Fomento da Actividade Frutícola em 1935, a reorganização do Ministério da Agricultura com a criação da Junta de Colonização Interna (JCI) e o término da campanha de produção agrícola (Campanha do Trigo iniciadas em 1930) em 1936, a Lei de Hidraulica Agrícola em 1937 e a Lei do Povoamento Florestal em 1938 .[3]
A sua acção no Ministério da Agricultura foi notável, impondo um conjunto de reformas visando a auto-suficiência alimentar de Portugal, com destaque para o estabelecimento de um novo regime cerealífero assente numa política proteccionista e de garantia de preços para os agricultores portugueses, de pendor neo-fisiocrático, e nas campanhas do trigo, acções de promoção da intensificação e modernização da cultura do trigo em Portugal, com destaque para o Alentejo.[3]
A 16 de Janeiro de 1936 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.[6]
Desde 1938 foi deputado à Assembleia Nacional sendo eleito, ao todo, para 3 legislaturas (II, III e IV, 1938-1949),[1] passando quase metade dos seus mandatos como ministro do 7.º Governo da ditadura: ministro da Agricultura[5] (23 de Outubro de 1934 a 28 de Agosto de 1940) e ministro da Economia[5] (28 de Agosto de 1940 a 6 de Setembro de 1944).[2] Foi ainda Procurador à Câmara Corporativa durante 6 legislaturas (IV, V, VI, VII, VIII, IX, 1945-1969).[1]
Quando o deteriorar da situação política resultante da intensificação da Segunda Guerra Mundial obriga Oliveira Salazar a proceder a uma profunda remodelação do seu governo, a 28 de Agosto de 1940 Rafael Duque passa a superministro, assumindo a pasta de Ministro da Economia, numa formulação orgânica que incluiu naquele departamento as áreas do Comércio e Indústria, da qual foi ministro interino,[5] num Governo em que Oliveira Salazar, para além da Presidência do Conselho de Ministros, acumulava as pastas das Finanças, dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.[4] Nas eleições gerais de 1942 foi reeleito para a Assembleia Nacional.
Desgastado pelas dificuldades do cargo em tempo de guerra, que causaram graves dificuldades económicas que se repercutiram nomeadamente no abastecimento público de bens essenciais como o pão e os combustíveis, abandonou o Governo a 24 de Novembro de 1944 e ocupou o lugar de deputado na Assembleia Nacional.
Para além das suas funções como deputado, foi progressivamente assumindo cargos de administração no sector bancário e financeiro do Estado: foi membro do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (1945 a 1946); delegado do Governo junto do Banco Nacional Ultramarino (1950 a 1955) e 6.º governador do Banco de Portugal (1957 a 1963,[5] ano em que atingiu o limite de idade para ocupar o cargo).[1]
No período de 1958 a 1961 foi presidente da Corporação do Crédito e Seguros, uma das organizações do regime corporativo para as empresas e entidades sindicais do sector financeiro. Também por esta via, foi designado pelo Conselho Corporativo para Procurador à Câmara Corporativa, no caso na VII Legislatura.[1]
Atingido o limite de idade e retirado da política activa, com excepção do cargo de à Câmara Corporativa, que exerceu até falecer. No ano de 1965 regressou à sua região natal, estabelecendo-se na sua casa da Chamusca, onde faleceu a 28 de Abril de 1969,[4] com 76 anos de idade.
Teve uma rua com o seu nome na Chamusca e tem outra em Lisboa.[4] Na aldeia da Mata, freguesia de Chancelaria, concelho de Torres Novas, onde nasceu tem o seu nome no Largo Doutor Rafael Duque, junto à igreja paroquial de Santa Eufémia, bem como placa afixada na fachada da casa de família.
Notas
- Castilho, J. M. Tavares (2010). «Nota biografica de Rafael da Silva Neves Duque» (PDF). Procuradores da Câmara Corporativa (1935-1974). Assembleia da República Portuguesa. Consultado em 2 de janeiro de 2013
- «Nota biográfica na página do Centro de Estudos do Pensamento Político». da Universidade Técnica de Lisboa. Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Arquivado do original em 2 de maio de 2014
- «Rosas, Fernando, "Rafael Duque e a política agrária do Estado Novo (1934-44)"» (PDF). Análise Social, vol. xxvi (112-113), 1991 (3.-4.0), 771-790. Analisesocial.ics.ul.pt
- JAE (11 de setembro de 2008). «Rafael Duque ainda é nome de rua em Lisboa Na Chamusca a placa caiu com o 25 de Abril». Santarém. O Mirante. Consultado em 2 de janeiro de 2013
- Banco de Portugal. «Antigos Governadores do Banco de Portugal». Consultado em 24 de Novembro de 2014. Arquivado do original em 23 de outubro de 2014
- «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Rafael da Silva Neves Duque". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de janeiro de 2012
| Precedido por Inocêncio Joaquim Camacho Rodrigues |
Governadores do Banco de Portugal 1957 – 1963 |
Sucedido por Manuel Jacinto Nunes (interino) |



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