TV Manchete Recife
A TV Manchete Recife foi uma emissora de televisão brasileira sediada em Olinda, cidade do estado de Pernambuco, que operava no canal 6 VHF analógico, outorgado na capital Recife, onde também manteve um escritório. Era uma emissora própria da Rede Manchete, pertencente ao Grupo Bloch, criada em 1983, cujas concessões foram adquiridas através de licitação pública do governo federal em 1981; entre estas, estavam as cassadas de filiais da Rede Tupi, sendo uma a do Recife, antes utilizada pela TV Rádio Clube. Inaugurada em 1984, a estação atuava como sede regional da Rede Manchete no Nordeste do país, chegando a transmitir seu sinal para outros locais da região. Em 1999, devido a problemas financeiros da rede, suas emissoras próprias, inclusive a TV Manchete Recife, foram vendidas para a TeleTV, tornando-se RedeTV!.
| TV Manchete Recife | |
|---|---|
| TV Manchete Ltda. | |
![]() TV Manchete Recife | |
| Recife-Olinda, Pernambuco Brasil | |
| Tipo | comercial |
| Cidade de concessão | Recife, PE |
| Canais | 6 VHF analógico |
| Sede | Olinda, PE |
| Rede | Rede Manchete |
| Fundador(es) | Adolpho Bloch |
| Pertence a | Grupo Bloch |
| Proprietário(s) | Adolpho Bloch (1984–92; 93–95) Hamilton Lucas de Oliveira (1992–93) Pedro Jack Kapeller (1995–99) |
| Fundação | 3 de março de 1984 |
| Extinção | 10 de maio de 1999 |
| Sucessora | RedeTV! Recife |
| Prefixo | ZYB 301 |
| Emissora(s) irmã(s) | Manchete FM Recife |
| Coord. do transmissor | |
| Agência reguladora | ANATEL |
História
Em 23 de julho de 1980, o Ministério das Comunicações abriu concorrência pública para conceder nove outorgas de televisão pelo Brasil, entre as quais estavam sete anteriormente utilizadas pelos Diários Associados para operarem emissoras da Rede Tupi, cassadas pelo governo federal no dia 16 daquele mês devido a seus problemas administrativos,[1] enquanto as outras duas eram de canais desocupados há mais de uma década.[2] A licitação foi disputada por alguns conglomerados, terminando vencedores, em 19 de março de 1981, o Grupo Silvio Santos e o Grupo Bloch, que levou as concessões do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife, além da inoperante, em São Paulo. O segundo grupo, controlado pelo jornalista Adolpho Bloch, pretendia, com estes canais, inaugurar a Rede Manchete, ingressando assim no meio televisivo, uma vez que atuava em edições impressas e emissoras de rádio.[3]
A outorga do Recife (cidade onde o Grupo Bloch estava presente através da sucursal da revista Manchete e da Manchete FM, lançada em 1980, que integrava a rede de rádio de mesmo nome[4][5]) correspondia ao canal 6 VHF, que operou de 1960 a 1980 a TV Rádio Clube, filial da Rede Tupi.[6] A TV Manchete aproveitaria sua estrutura técnica e maior parte de seu quadro de funcionários, além de dar continuidade a um projeto da antiga emissora de construir uma torre em concreto, cuja arquitetura seria de Oscar Niemeyer.[7] A sede principal da futura estação ficaria em um terreno no bairro Ouro Preto, em Olinda, cidade próxima a Recife, doado pela prefeitura,[7] que estava sem utilização desde 1968, quando a fábrica Fosforita deixou o local após decretar falência,[8][9] enquanto o escritório encontrava-se no Centro da capital pernambucana.[10]

As obras da construção da torre da TV Manchete foram iniciadas em 10 de janeiro de 1983.[11] No mês seguinte, equipes da futura emissora cobriram um baile no Clube Português do Recife, sendo o primeiro trabalho para a formação de seu acervo.[11][12] O plano do Grupo Bloch era o de inaugurar a estação em 17 de julho daquele ano,[13] porém problemas técnicos a serem solucionados adiaram a estreia para outubro, quando as filiais do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte estavam no ar,[14][15] chegando depois a não haver uma data prevista.[16] A torre teve suas obras concluídas em janeiro do ano seguinte.[17]
A TV Manchete Recife foi inaugurada às 17 horas de 3 de março de 1984 com a exibição de Capiba e o Frevo, especial dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos sobre o músico Capiba, com participação do mesmo, em que personalidades locais interpretaram suas composições; o especial foi exibido nacionalmente pela Rede Manchete.[18] Depois, a emissora iniciou a retransmissão da cobertura do Carnaval do Rio de Janeiro daquele ano, realizada pela rede.[19] No dia 7, após o encerramento da cobertura, a estação veiculou O Mundo Mágico, show com números musicais que abriu as atividades da Rede Manchete no ano anterior.[20][21] A torre de transmissão da emissora distribuía seu sinal para além dos arredores do Recife, podendo ser captado também em Caruaru, no interior de Pernambuco, e no arquipélago de Fernando de Noronha.[22] A estação também chegou a ser transmitida em outras localidades do Nordeste,[22] tornando-a em sede regional da rede.[23] Em setembro, a construção do prédio térreo com o estúdio para produções jornalísticas foi finalizada.[24][17]
Em 9 de junho de 1992, as emissoras de rádio e de televisão do Grupo Bloch, inclusive a TV Manchete Recife, foram vendidas ao empresário Hamilton Lucas de Oliveira.[25] O controle dos veículos foi devolvido a Adolpho Bloch em 23 de abril de 1993 após o cancelamento da venda pelo então presidente Itamar Franco, sob a alegação de a Indústria Brasileira de Formulários, empresa de Oliveira, não haver pago o valor total do investimento.[26] Em novembro de 1995, com a morte de Adolpho Bloch, seu sobrinho Pedro Jack Kapeller assumiu a propriedade da Rede Manchete.[27]
Em 9 de maio de 1999, devido à crise causada pela situação financeira instável da Rede Manchete, suas emissoras próprias no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife foram vendidas a Amilcare Dallevo Jr., dono da TeleTV, e no dia seguinte, a documentação para a oficialização da transferência foi entregue ao Ministério das Comunicações.[28] A compra foi autorizada em decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 17,[29] e a rede entrou em expectativa para o lançamento da RedeTV!, ocorrido em 15 de novembro do mesmo ano.[30] A emissora pernambucana, por sua vez, mudou seu nome para RedeTV! Recife.
Posteriormente
A RedeTV! continuou utilizando a torre da TV Manchete para transmitir seu sinal analógico até 2017 e a desocupou no ano seguinte, pagando durante todo o período o aluguel à massa falida da rede. Desde então, o prédio térreo ao lado passou a ser ocupado por desabrigados, que procuram preservar a construção.[17] A torre é objeto de pedidos de tombamento, tendo um sido realizado em 2013 pela Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta ao Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda e outro em 2017 pela Associação da Imprensa de Pernambuco à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.[31]
Parte do acervo de fitas da TV Manchete Recife, que foi guardado na base de sua torre, terminou sendo perdido devido à danificação pela ação do tempo. Segundo relatos de funcionários que trabalharam na emissora, não houve interesse da massa falida da rede em recuperá-lo.[32]
Programação
A TV Manchete Recife iniciou suas atividades produzindo matérias jornalísticas à Rede Manchete, sem, no entanto, gerar programação local.[10] A primeira experiência, pontual, com um telejornal local foi realizada no Pernambuco Agora, que estreou em 22 de outubro de 1984.[33] Posteriormente, a rede introduziu em suas emissoras o Praça em Manchete, sendo lançado na do Recife, em 27 de abril de 1987, o Nordeste em Manchete, depois mudado para Pernambuco em Manchete, transmitido na faixa noturna com duração de quinze minutos,[34][35][10] cuja produção foi feita até o final da década de 1990. A estação, assim como as outras filiais, também chegou a veicular edições locais do Manchete Esportiva.[36]
Referências
- «Tupi perde concessão de 7 das 9 TVs». O Estado de S. Paulo. 17 de julho de 1980. p. 4
- «Editais para adquirir as TVs Associadas saem hoje». Folha de S. Paulo. 23 de julho de 1980. p. 13
- Francfort 2008, pp. 15 e 16.
- «TUPI dá vez ao amadorismo». Diario de Pernambuco. 7 de abril de 1980. p. C-4
- Craveiro, Paulo Fernando (27 de julho de 1980). «Nova FM». Diario de Pernambuco. p. A-6
- Francfort 2008, p. 15.
- Alberto, João (2 de agosto de 1981). «TV Manchete». Diario de Pernambuco. p. B-3
- Alberto, João (18 de maio de 1982). «Em Olinda». Diario de Pernambuco. p. B-3
- «Brasil já teve mina de fosfato em Olinda na década de 1960». Poder360. 11 de março de 2022
- Cunha, Rodrigo (15 de dezembro de 2008). «Antena Norte/Nordeste: TV Manchete no Nordeste». Tele História. Cópia arquivada em 5 de setembro de 2009
- Alberto, João (7 de janeiro de 1983). «TV Manchete». Diario de Pernambuco. p. B-3
- Alberto, João (8 de fevereiro de 1983). «Municipal». Diario de Pernambuco. p. B-3
- Craveiro, Paulo Fernando (4 de dezembro de 1982). «TV Manchete do Recife entra no ar em julho». Diario de Pernambuco. p. A-6
- Francfort 2008, p. 21.
- Craveiro, Paulo Fernando (16 de junho de 1983). «TV Manchete em outubro». Diario de Pernambuco. p. A-6
- «Notícias da Manchete». Diario de Pernambuco. 29 de julho de 1983. p. B-2
- Cavalcante, Diogo (14 de julho de 2020). «Desenhada por Niemeyer, torre da Manchete em Olinda sofre com vandalismo». Diario de Pernambuco
- «Nossa imagem agora também no RECIFE». Manchete 1664 ed. Bloch Editores. 1984. p. 122
- «Manchete». Diario de Pernambuco. 3 de março de 1984. p. B-8
- Craveiro, Paulo Fernando (25 de fevereiro de 1984). «MUNDO MÁGICO». Diario de Pernambuco. p. A-7
- Francfort 2008, p. 22.
- Notare, Thais (4 de fevereiro de 1984). «As curtinhas». Diario de Pernambuco. p. B-2
- «Rede Manchete no Recife». Manchete 1668 ed. Bloch Editores. 1984. p. 43
- Alberto, João (12 de setembro de 1984). «[sem título]». Diario de Pernambuco. p. B-3
- Francfort 2008, p. 198.
- Francfort 2008, p. 203.
- Francfort 2008, p. 226.
- Francfort 2008, p. 283.
- Cardoso, Fernando Henrique (14 de maio de 1999). «DECRETO DE 14 DE MAIO DE 1999». Diário Oficial da União (publicado em 17 de maio de 1999). p. 6
- «Rede TV! estréia com 1 ponto de audiência». Folha de S. Paulo. 16 de novembro de 1999
- Bento, Emannuel (15 de outubro de 2021). «Com torre de Niemeyer, antiga sede da TV Manchete em Pernambuco vai a leilão». JC
- «35 anos da TV Manchete: dívidas estouram os R$ 500 milhões e acervo segue no limbo». NaTelinha. 26 de dezembro de 2018. Consultado em 28 de dezembro de 2018
- Alberto, João (19 de outubro de 1984). «No ar». Diario de Pernambuco. p. B-3
- Francfort 2008, p. 99.
- «DIARIO NA TV». Diario de Pernambuco. 27 de abril de 1987. p. B-6
- Francfort 2008, p. 87.
Bibliografia
- Francfort, Elmo (2008). Rede Manchete (PDF). Aconteceu, Virou História. Col: Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 424 páginas. ISBN 8570605897

