Terceiro Comando Puro
Terceiro Comando Puro, conhecido também pela sigla TCP, é uma organização criminosa carioca, surgida no Rio de Janeiro, a partir de uma dissidência do Terceiro Comando, liderada pelos traficantes Facão e Robinho Pinga.[1][2]
| Terceiro Comando Puro | |
|---|---|
| Fundação | 2002 |
| Anos ativo | 2002–presente |
| Território (s) | |
| Atividades | Assassinatos, assaltos, tráfico de drogas e extorsão |
| Aliados | PCC, GDE |
| Rivais | CV, ADA |
História
A facção tem seus primórdios no extinto Terceiro Comando, atuante na década de 80 e 90. Alguns líderes do TC naquela época eram os criminosos Zacarias Gonçalves, o Zaca Jorge Zambi, o Pianinho, Pitoco da Vila Aliança, Robertinho de Lucas, Adilson Balbino, dentre outros.
Em 1998, o Terceiro Comando (TC) aliou-se a facção recém-criada Amigos dos Amigos (ADA), ampliando seus domínios.
Por volta de 2002, a facção surgiu a partir de uma dissidência do TC, chegando a coexistir com esta última e o ADA.[2][1]
Após 11 de setembro de 2002, quando Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, liderou uma revolta no presídio Bangu I, matando alguns rivais, entre eles Uê, um dos líderes da união TC/ADA. Celsinho da Vila Vintém, da facção Amigos dos Amigos (ADA), que não foi morto durante a rebelião, foi acusado de traição, o que gerou o rompimento definitivo da aliança com o ADA. Assim, os traficantes do quase extinto TC pularam para o TCP e outros para o ADA.[1][2] Foi nessa cisão que os integrantes da facção decidiram colocar o P de Puro na sigla da facção, realçando que os que continuaram no Terceiro Comando eram criminosos Puros e 'sem mistura'.
Após a morte de Robinho no final de 2007, quem se tornou o primeiro homem na hierarquia de Senador Camará foi o traficante Marcio José Sabino, mais conhecido como Matemático, que assumiu o controle de seus postos de venda de droga até ser morto em uma emboscada policial em maio de 2012.[3]
Complexo de Israel
Parte das lideranças do TCP fundaram o Complexo de Israel, um conjunto de favelas formada pelas comunidades de Parada de Lucas, Cidade Alta, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas. Nas regiões comandadas pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, vulgo Peixão, foram erguidas bandeiras de Israel e estampadas estrelas de Davi nos muros, símbolo maior do judaísmo, em diversos pontos.[4]
Hierarquia
Ao contrário da sua arquirrival Comando Vermelho, a facção Terceiro Comando Puro tem uma hierarquia descentralizada. Cada 'dono' de comunidade só responde por ela, sem receber interferências de outros líderes da cúpula da facção. O Terceiro Comando Puro não tem uma hierarquia definida e nem um alto conselho para decisões da facção, cada dono mantém seu poder na própria comunidade ou naquela comunidade em que ele ajudou a 'tomar'.
No cenário de guerra, cada dono cede homens ou armamentos para a empreitada criminosa. No fim da guerra, cada dono vai ter sua 'fatia' naquela comunidade caso a facção tenha êxito na empreitada criminosa.
Os principais líderes da facção eram e são os seguintes criminosos;
Robson André da Silva, Robinho Pinga - Chefe do tráfico de drogas no bairro de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. Era considerado o 'dono' do Complexo da Coréia e de outras comunidades da Zona Oeste. Morreu em 2007 em decorrência de um câncer cerebral. [5]
Márcio José Sabino Pereira, Matemático ou Batgol - Era considerado o braço direito de Robinho Pinga e assumiu os pontos comandados por Robinho após sua morte. Márcio foi morto em 2012 em uma operação da Polícia Civil no seu próprio reduto. Ele foi atingido pelo policiais que estavam no helicóptero, a ação foi bastante divulgada na época. [6]
Nei da Conceição Cruz, Facão - Também considerado um dos líderes do TCP, foi um dos pilares da facção no inicio. É nascido no Acari mas teve seu império criminoso no Complexo da Maré, onde na época foi considerado chefe do tráfico na Baixa do Sapateiro. Está atualmente preso em Bangu após sua última prisão em 2009, no Guarujá (SP). Era considerado líder de um bonde criminoso chamado 'Firma Forte do Facão'. [7]
Rubens Ricardo da Silva, Rubinho do Aço - Considerado também um dos fundadores da facção, tinha sua atuação na comunidade do Aço, na Zona Oeste. É traficante do extinto Terceiro Comando, antecessor do TCP na década de 80. Foi preso no ano de 2021 na Maré. [8]
José Roberto da Silva Filho, Robertinho de Lucas - Era um traficante e sequestrador que atuou na década de 80 e 90 na comunidade de Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio. Era considerado o chefe do tráfico na comunidade. Foi sequestrado em 2005 e encontrado morto em Engenho Grande, em Saquarema, na região dos Lagos no estado do Rio.
Ver também
Referências
- «Terceiro Comando». procurados.org. Consultado em 10 de maio de 2018. Arquivado do original em 25 de novembro de 2011
- «Facção Terceiro Comando Puro». procurados.org. Consultado em 10 de maio de 2018. Cópia arquivada em 5 de março de 2016
- Cirilo Junior (12 de maio de 2012). «Agressivo, Matemático comandava facção com mão de ferro». terra.com.br. Consultado em 10 de maio de 2018
- Gil Alessi (27 de março de 2021). «A ascensão do 'narcopentecostalismo' no Rio de Janeiro». El País. Consultado em 8 de junho de 2021
- «Morre Robinho Pinga, um dos chefes do tráfico carioca»
- «Perseguição e caçada ao traficante Matemático (Fantastico)»
- «Polícia impede que fundador de facção que age no Rio saia da cadeia»
- «Preso na Maré, fundador de facção deixou a cadeia em 2019 graças a erro, mesmo com pena a cumprir»