Travancinha

Travancinha é uma freguesia portuguesa do município de Seia, na província da Beira Alta, região do Centro e sub-região da Serra da Estrela, com 12,66 km² de área e 472 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 37,3 hab/km².

 Portugal Travancinha 
  Freguesia  
Símbolos

Brasão de armas
Localização

Travancinha
Localização de Travancinha em Portugal
Coordenadas 40° 25' 25" N 7° 49' 22" O
Região Centro
Sub-região Serra da Estrela
Província Beira Alta
Município Seia
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente António Moitinho Alves Bernardes (PS)
Características geográficas
Área total 12,66 km²
População total (2011) 472 hab.
Densidade 37,3 hab./km²
Outras informações
Orago Nª Srª do Rosário
Sítio Site oficial

Geografia

Situa-se esta freguesia no extremo poente do concelho, confinando com o de Oliveira do Hospital. Assente na planície do chamado “baixo concelho”, a uma altitude de 380 metros, Travancinha tem o seu ponto mais elevado na Borceda, onde existe o marco geodésico denominado Pilar da Borceda.

População

Por idades em 2001, 2011 e 2021

Totais e grupos etários [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021
Total 917 1063 957 1017 1052 949 753 959 1045 817 759 670 630 546 472 387
0-14 anos15-24 anos25-64 anos 65 e + anos
82 | 52 | 42 79 | 55 | 30 245 | 231 | 203 140 | 134 | 112
-37% | -19% -30% | -45% -6% | -12% -4% | -16%

História

Como certidão da sua provecta idade, Travancinha apresenta vestígios de um velho castro e de uma calçada romana, além de sepulturas cavadas na rocha. Também o seu topónimo, diminutivo arcaico de Travanca, indicia uma remota antiguidade.

As mais antigas referências a Travancinha datam dos primórdios da monarquia portuguesa, mais concretamente do reinado de D. Sancho I. D. Dulce, a esposa deste monarca, teve o senhorio desta terra, fruto das compras que fez a vilãos foreiros. Antes da rainha a possuir, Travancinha era toda foreira à coroa. A infanta D. Mafalda herdou as propriedades de sua mãe, aumentando o seu património com muitas outras que adquiriu um pouco por toda a região de Seia, incluindo aqui na freguesia.

Nas Inquirições de D. Afonso III, faz-se menção a um tal Mendes Dias, um dos muitos cavaleiros vilãos aqui proprietários, que vendeu as suas herdades a algumas Ordens. Uma delas, a de Aviz, era possuidora de vários casais em Travancinha doados por D. Mafalda: “que dedit ipsi ordini regina donna Mafalda”. Em 1258, D. Urraca Fernandes era a dona de seis casais herdados de D. Pedro Velho.

A criação da freguesia é “posterior ao século XIV e obra da igreja de Santa Eulália, que instituiu uma filial na ermida de Santa Maria com o título de curato anexo”. Pelos finais dos padroados, ainda o prior de Santa Eulália apresentava o cura de Travancinha com uma renda de trinta mil reis e pé-de-altar.

O lugar de Casal foi outrora um concelho com foral dado por D. Manuel I, em Lisboa, a 21 de Novembro de 1514. Não se sabe a data exacta da sua extinção, mas em Novembro de 1836 já o Casal estava integrado na vila de Ervedal da Beira. Travancinha fez igualmente parte do concelho de Ervedal até 24 de Outubro de 1855, data em que passou a integrar o de Seia, após a extinção daquele. Alguns autores afirmam que Sameice era a única freguesia constitutiva do concelho de Casal, para além da própria vila, mas outros traçam um mapa bastante mais alargado, do qual se infere serem várias as freguesias que o formavam: “Do concelho do Casal, apenas ficaram no concelho de Seia as freguesias de Sameice, Travancinha e Várzea de Meruge. Entretanto transferiram-se para o concelho de Oliveira do Hospital, Meruge e S. Paio de Codeço.

O concelho de Casal possuiu câmara municipal (edifício ainda existente), tribunal e cadeia. Tinha juiz, procurador, escrivão e destacamento militar. Como que lembrando e atestando aqueles tempos de glória e de especiais prerrogativas, o pelourinho conseguiu sobreviver à voragem dos dias, sendo um dos poucos que, no concelho, se encontram ainda de pé. Sobre o pelourinho do Casal, alguém escreveu: “O seu pelourinho era de madeira, e como Vila Nova se houvesse julgado com direito aos bens da casa arruinada pela política da época, como filho mais poderoso, veio buscá-lo. Carregou-o num carro de bois e ia--se embora com ele. Era no Verão: aquela gente dispersa pelos campos, tinha deixado o burgo deserto. A não ser a petizada que se divertia, todos trabalhavam deitando a água às hortas. Mas alguém que apareceu, lembrou-se de tocar os sinos a rebate e o povo acorreu pressuroso ao chamamento, em defesa do seu património artístico. Lá, já ao longe, quando o povo se juntou com alarido e pronto para castigar o desacato, houve pancadaria da rija, e os de Vila Nova voltaram derrotados, e para que não fosse possível repetir a proeza, trabalharam em bom granito da região um Pelourinho e ergueram-no em frente da casa da antiga Comenda”.

Entre o Casal e a sede da freguesia situa-se a igreja paroquial de invocação de Nossa Senhora do Rosário, uma construção do século passado. A Capela de Nossa Senhora das Virtudes é um templo edificado em 1742, conforme a inscrição aposta no campanário. Tem quatro altares, figurando a imagem do orago num deles.

Uma das figuras importantes desta freguesia foi o sargento-mor António de Mascarenhas, natural do lugar de Casal. Num instrumento de testemunhas para ser promovido, incluiu no seu currículo que no ano “de 1772 foi o suplicante oficial comandante no sítio da Cruz de Vasqueanes, no sítio da Senhora do Espinheiro, no lugar do Sabugueiro e no sítio da Senhora do Desterro… aí esteve sempre, com oficiais e soldados, por ordem que para isso teve, fazendo tudo com muita satisfação e zelo, do serviço de Sua Real Magestade”.

Cronologia

  • 1527 - mencionado como concelho de Casal e Travancinha
  • 1836 - estava já integrado em Ervedal da Beira[2]
  • 1841 - possível extinção do estatuto de concelho[3]

Património

Capela de Nossa Senhora das Virtudes - Travancinha
  • Igreja Matriz de Travancinha (século XVIII);
  • Capela de São Sebastião;
  • Capela de Nossa Senhora da Ajuda;
  • Capela de Nossa Senhora das Virtudes (1742);
  • Capela de Nossa Senhora da Saúde;
  • Botica;
  • Pelourinho;
  • Casa da Câmara;
  • Casa da Comenda;
  • Fonte secular;
  • Ponte romana;
  • Cruzeiro Duplo Centenário;
  • Alminhas;
  • Tribunal;
  • Cadeia.

Pontos de interesse

  • Caminho romano conhecido por “Canada das Cerejeiras”;
  • Penedo de João Brandão;
  • Lapa Seixinha;
  • Blocos pedunculados;
  • Pilar da Borceda - Marco geodésico;
  • Penedo da Forca;
  • Baloiço panorâmico Entre Serras[4].

Equipamentos

  • Jardim de Infância de Travancinha.

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  2. Pelourinho de Casal na base de dados Ulysses da Direção-Geral do Património Cultural
  3. Pelourinho de Casal na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
  4. «Baloiço panorâmico Entre Serras • Togetherness • Centro de Portugal». togetherness.centerofportugal.com. Consultado em 8 de julho de 2021

Ligações externas

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