Assistente (docente)

Assistente e assistente estagiário são categorias base em desuso nas universidades portuguesas.[1][2]

Actualmente não são efectuadas contratações para pessoal efectivo nestas categorias, que funcionam exclusivamente como suporte legal para os "assistentes convidados" e "monitores", contratados temporariamente pelas universidades portuguesas.[3]

"Assistente" e "assistente estagiário" nas universidades públicas portuguesas

Formalmente, as categorias de docência universitária são, por esta ordem hierárquica:[1][2][4]

As categorias de assistente e assistente estagiário não exigem o doutoramento, apenas a qualificação de licenciado ou mestre.[2] Por essa razão, as universidades públicas portuguesas deixaram, na prática, de abrir lugares efectivos para assistente[3], abrindo lugares efectivos exclusivamente para posições que exigem a qualificação de Doutor, como é o caso dos professores auxiliares, associados e catedráticos. Desta forma, nas universidades portuguesas as duas categorias de "assistente" estão actualmente reduzidas à contratação de pessoal convidado não doutorado (assistentes convidados e monitores, ver próxima secção).

Nas décadas de 1980 e 1990 era comum a contratação de assistentes e assistente estagiários nas universidades públicas portuguesas. Contudo, o desenvolvimento académico que se verificou em Portugal e nas respectivas qualificações colocou estas categorias em desuso.[3] Os docentes contratos como efectivos na categoria de assistente, nas décadas de 1980 e 1990, progrediram, entretanto, para as posições seguintes, que exigem o doutoramento. Por sua vez, os assistentes estagiários sempre tiveram uma posição contratual mais precária e podem ter progredido, ou não, na carreira académica.

No ambiente universitário, os assistentes não são designados como "professor/a" (ou "prof./a"), por ainda não terem finalizado o seu percurso académico, nomeadamente a obtenção do grau de Doutor (doutoramento). Na academia, as regras convencionadas admitem aos licenciados e mestres o título Dr./a (ou Arq./a, Eng./a), e não de Doutor/a ou Professor/a Doutor/a.[5][6] Nestes termos, o nome dos docentes não doutorados, como é o caso dos assistentes e assistentes convidados, não é procedido formalmente de Professor/a, ou Professor/a Doutor/a, conforme ocorre nas categorias superiores, mas sim com o título de Dr./a, Arq./a, Eng./a, e similares.[5][6] Veja-se, também, que, por esta mesma razão, as categorias de "assistente" não são precedidas com o título de "professor" em nenhuma documentação oficial (desde logo no Estatuto da Carreira Docente Universitária), ao contrário do que ocorre nas categorias seguintes (auxiliares, associados e catedráticos).[1][2][4] Desta forma, no contexto da progressiva e hierarquizada carreira de docência universitária[2], a utilização da identificação de professor (ou professor universitário) por parte de assistentes e assistentes convidados é inadequada, indevida e abusiva, por estar restrita a professores doutorados.[2][5][6]

Em Portugal, as categorias de docência universitária que se seguem aos assistentes são os professores auxiliares, associados e catedráticos, respectivamente. Estas são, in praxi, as actuais categorias do ensino universitário português.

Paralelos académicos

Assistentes convidados (nas universidades públicas portuguesas)

Em Portugal, a contratação de assistentes convidados vulgarizou-se.[7] Os assistentes convidados são especialmente contratados para leccionar, na maioria das circunstâncias recém-formados, ainda licenciados ou mestres, e, sempre, não doutorados (os doutorados convidados são contratados na categoria seguinte[2]).

Os assistentes convidados são contratações temporárias por motivos extraordinários (ex. falta de docentes efectivos suficientes). Os contratos são precários e temporários (semestrais ou anuais), com número de horas parcial (até no máximo 50%[2], vulgarmente 4 ou 6 horas semanais, dependendo da instituição). As contratações são realizadas de forma directa, por convite, sem anúncio prévio ou concurso. Por norma, os docentes convidados leccionam componentes práticas e apoiam o trabalho desenvolvido por professores auxiliares, professores associados e professores catedráticos.

As universidades portuguesas abrem um número muito reduzido de concursos para lugares efectivos (professores auxiliares, associados e catedráticos), pelo que actualmente parte substancial da responsabilidade de docência está alocada a docentes convidados, contratados parcial e temporariamente, externos à instituição, como é o caso dos assistentes convidados.

Nas universidades portuguesas o peso dos docentes convidados é superior a 30%.[7]

Monitores

Tal como os assistentes convidados, os monitores são contratações especiais e temporárias, sem aviso ou concurso, sem vínculo permanente à instituição e com um número de horas extremamente limitado, por norma, para o apoio extraordinário a um professor auxiliar, associado ou catedrático na leccionação de uma unidade curricular específica.

Referências

  1. European University Institute. «Portugal, Academic Career Structure». European University Institute
  2. FENPROF. «Estatutos de carreira» (PDF). FENPROF
  3. Reis Torgal, Luís. «Professores universitários – a (des)construção de uma carreira». Público
  4. SNESUP. «TABELA DE VENCIMENTOS PARA 2020» (PDF). SNESUP
  5. CiberDúvidas da língua portuguesa. «Abreviaturas de títulos académicos». CiberDúvidas da língua portuguesa
  6. CiberDúvidas da língua portuguesa. «Títulos académicos». CiberDúvidas da língua portuguesa
  7. Público. «Professores a tempo parcial nas universidades já são quase um terço». Público
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