Caturama

Caturama é um município brasileiro, localizado às margens do Rio Paramirim, do estado da Bahia. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2020, era de 9 316[3] habitantes.

Caturama
  Município do Brasil  
Vista aérea da cidade
Vista aérea da cidade
Símbolos

Bandeira

Brasão de armas
Hino
Gentílico caturamense
Localização
Localização de Caturama na Bahia
Localização de Caturama na Bahia

Caturama
Localização de Caturama no Brasil
Mapa de Caturama
Coordenadas 13° 19' 44" S 42° 17' 27" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Paramirim, Rio do Pires, Érico Cardoso, Botuporã e Macaúbas
Distância até a capital 621 km
História
Fundação 30 de junho de 1877 (145 anos)
Emancipação 13 de junho de 1989 (33 anos)
Administração
Prefeito(a) Paulo Humberto Neves Mendonça[1] (PSD, 2021  2024)
Vereadores 9
Características geográficas
Área total IBGE/2019[2] 716,261 km²
População total (estimativa IBGE/2020[3]) 9 316 hab.
Densidade 13 hab./km²
Clima tropical
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 46575-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,571 baixo
PIB (IBGE/2018[5]) R$ 59 396,67 mil
PIB per capita (IBGE/2018[5]) R$ 6 359,39
Sítio caturama.ba.gov.br (Prefeitura)
www.camaracaturama.ba.gov.br (Câmara)

História

Os primeiros habitantes da região, que a habitavam há milhares de anos, eram indígenas, de etnia incerta. Uns dizem serem os tapuias, outros dizem serem tuxás, do tronco tupi-guarani.

O primeiro contato entre os indígenas da região e forasteiros ocorreu no século XVII, com a chegada dos jesuítas para a catequese dos indígenas e de alguns fazendeiros da Casa da Ponte, latifúndio cujo primeiro dono foi Antônio Guedes de Brito.

No início do século XVIII, a descoberta de ouro no início do Rio Paramirim traz para a região, inclusive para Caturama, desbravadores portugueses, paulistas e mineiros. Os desbravadores que foram chegando no atual território de Caturama foram instalando novas fazendas.

Por volta de 1840, com a fixação das primeiras famílias Cardoso, Martins, Oliveira e Lages (estas famílias pouco deixaram origens no atual município) e a edificação de uma capela idolatra a São Sebastião, surge o Arraial de São Sebastião de Macaúbas (hoje a sede de Caturama), pertencente à Vila de Macaúbas. O povoado cresce, pela agricultura familiar com a cultura de cana, algodão, mandioca e sisal, cultivada principalmente nas margens férteis e irrigadas do Rio Paramirim, pela pecuária e por ser um pouso para tropeiros e aventureiros que se dirigiam à Chapada Diamantina, onde ocorria a mineração de diamantes.

Em meados do século XIX, vândalos chefiados por um grupo de ciganos invadem o Arraial, mas foram derrotados pelas tropas do povoado. Na localidade de Umbuzeiro, existia uma lagoa, e cadáveres ensanguentados foram jogados nesta lagoa, tornando suas águas vermelhas, sendo este um dos episódios mais sangrentos da história de Caturama.

Em 30 de junho de 1877, a Lei Provincial n° 1788 eleva a localidade de Arraial à Freguesia, obtendo o nome de Freguesia de São Sebastião de Macaúbas, cujo território abrangia a maioria do hoje território caturamense.

Com o crescimento populacional, comercial e econômico, chegam em São Sebastião de Macaúbas repartições públicas. Em 1897, instala-se o primeiro Cartório do Registro Civil e o Juizado de Paz.

Em 1938, São Sebastião de Macaúbas tem seu nome alterado para Caturama, que significa “o que será bom”, de origem das palavras do tupi antigo “katu” (bom) e “rama” (donde)[6], o que também pode ser entendido como “boa sorte” em tupi-guarani. Outra forma de traduzir o topônimo é como “boa terra”.

A mudança de nome da freguesia se deu pelo motivo da legislação da época (Decreto Lei de n.º 311 de março de 1938)[7], não permitir duas ou mais localidades possuírem o mesmo nome e como havia outro local também denominado São Sebastião, tiveram de alterar o topônimo da freguesia.

A escolha pelo nome de “Caturama” foi devido a não haver outro local em todo o Brasil assim chamado e pelo fator geográfico local, ao qual foi determinante, pois como é sabido a localidade está situada às margens de um rio chamado Paramirim e a palavra em tupi “katu” (na sua forma simples) era muitas vezes usada para nomear rios. Já “rama” foi acrescentada como um elemento sufixo de composição para provocar o significado “local as margens de um bom rio” ou simplesmente “cidade às margens do rio”.[8]

No dia 22 de março de 1962, através da Lei Estadual de n.º 1647[9], em seu artigo segundo, Caturama foi desmembrada de Macaúbas para se tornar distrito do recém formado e constituído município de Botuporã.

Em 13 de junho de 1989, a Lei Estadual n.º 5012[10] desmembrou do município de Botuporã todo o território do até então distrito de Caturama para formar um novo município de mesmo nome, com o CEP 46.575-000.

No dia 15 de novembro daquele ano houve uma eleição extraordinária para a escolha dos primeiros prefeito, vice-prefeito e vereadores do município. Em 1.º de janeiro de 1990, o candidato eleito prefeito, José Carlos Marques da Silva, tomou posse juntamente a primeira legislatura da Câmara Municipal.

A autorização para a construção da primeira delegacia de Policia Civil na cidade ocorreu em 28 de dezembro de 1989, por meio do decreto estadual de n.º 3379[11].

No ano de 1992, Walter Brandão foi o segundo gestor de Caturama, governando entre 1993 e 1996. Seguiram a ele Salomão Fernandes (1997 – 2000), José Carlos Marques da Silva (2001 – 2008, reeleito em 2004), Hugo Guedes Mendonça (2009 – 2016, reeleito em 2012) e Paulo Mendonça (2017 – 2024, reeleito em 2020).

Caturama é um dos municípios mais novos da Bahia, com pouco mais de 30 anos de emancipação.[12][13][14][15]

Festa de Janeirão

A festa, que hoje é chamada somente de "Janeirão", ocorria tradicionalmente em homenagem ao idolatrismo católico de um santo daquela fé chamado Sebastião, realizada provavelmente desde o início do século XX como um inicial “baile de leilões”. O evento se torna festivamente maior na região apenas quando a localidade se torna município, obtendo o recebimento e a captação de verbas públicas para a realização de eventos, como shows musicais e artísticos, surgindo assim o nome "Janeirão", provavelmente pelo fato da festa ser realizada durante o mês de janeiro.

A festividade costuma ocorrer durante os dias 17, 18 e 19 do mês de janeiro com atrações musicais regionais e nacionais.

Geografia

Situado no sudoeste do Estado da Bahia, o município é limítrofe ao sul com Paramirim, ao sudeste com Érico Cardoso, ao norte e nordeste com Rio do Pires, ao noroeste com Macaúbas e ao oeste com Botuporã. Em seu lado leste percorre o Rio Paramirim, fronteiriço, é usado para delimitar parte do território caturamense. O solo é característico de semiárido e sua fauna e flora são típicas do bioma caatinga. Durante quase todo o ano, o clima é seco, a temperatura costuma se manter acima dos 30 °C, com exerção do período entre os meses de junho e agosto que costuma ter temperaturas amenas. . A falta de chuva, repercute em seca, sendo um problema constante enfrentado pelos produtores rurais.

Principais povoados

O município de Caturama é constituído administrativamente de apenas um distrito: o distrito-sede, de mesmo nome. Outras localidades são:

  • Feira Nova[16]
  • Caeiras
  • Mocambo
  • Tabúa de Baixo
  • Telha
  • Malhadinha

Educação

O município conta com o ensino regular básico público fundamental (primário e secundário), médio e técnico. No centro da sede, existem as unidades de educação: Creche Municipal de Caturama[17] (ensino básico para crianças de até seis anos), Escola Maria Avelina Oliveira Sousa (ensinos fundamentais um e dois) e o Centro Educacional São Sebastião (ensino médio e técnico). Na localidade de Feira Nova há o Colégio Educacional Santo Antônio (ensino fundamental 1 e 2).[18]

Referências

  1. Prefeito e vereadores de Caturama tomam posse Portal G1 - acessado em 2 de janeiro de 2021
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2019). «Área da unidade territorial - 2019». Consultado em 22 de dezembro de 2020
  3. IBGE (28 de agosto de 2020). «Estimativa populacional 2020 IBGE». Consultado em 28 de dezembro de 2020
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013
  5. «Produto Interno Bruto dos Municípios 2018». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 22 de dezembro de 2020
  6. RAMOS, RICARDO TUPINIQUIM (10 de abril de 2008). «TOPONÍMIA DOS MUNICÍPIOS BAIANOS: DESCRIÇÃO, HISTÓRIA E MUDANÇAS» (PDF). UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS E LINGUÍSTICA: 220, 226, 301. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  7. «DECRETO-LEI Nº 311, DE 2 DE MARÇO DE 1938». Portal da Câmara dos Deputados. 2 de março de 1938. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  8. RAMOS, RICARDO TUPINIQUIM (10 de abril de 2008). «TOPONÍMIA DOS MUNICÍPIOS BAIANOS: DESCRIÇÃO, HISTÓRIA E MUDANÇAS» (PDF). UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS E LINGUÍSTICA: 301. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  9. «LEI Nº 1.647 DE 22 DE MARÇO DE 1962». Portal de Legislação do Estado da Bahia | Casa Cívil. 22 de março de 1962. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  10. «LEI Nº 5.012 DE 13 DE JUNHO DE 1989». Portal de Legislação do Estado da Bahia | Casa Civil. 13 de junho de 1989. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  11. «DECRETO Nº 3.379 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1989». Portal de Legislação do Estado da Bahia | Casa Civil. 28 de dezembro de 1989. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  12. NEVES, Erivaldo (2003). Posseiros, rendeiros e proprietários: Estrutura Fundiária e Dinâmica Agromercantil no Alto Sertão da Bahia (1750-1850) (PDF). Recife: UFPE. 403 páginas
  13. «Caturama (BA) - Histórico». Cidades IBGE. Consultado em 23 de janeiro de 2021
  14. «A história de Caturama». Prefeitura de Caturama. Consultado em 23 de janeiro de 2021
  15. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE. 1958. 431 páginas
  16. «Povoados e comunidades». Prefeitura de Caturama. 25 de julho de 2019. Consultado em 23 de janeiro de 2021
  17. «Creche Municipal de Caturama - Google Maps». Google Maps. Consultado em 5 de dezembro de 2022
  18. «Escolas e colégios municipais». Prefeitura de Caturama. 25 de julho de 2019. Consultado em 23 de janeiro de 2021

Ligações externas

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