Fragata (Pelotas)

Fragata é um dos maiores e um dos mais populosos bairros de Pelotas, com quase 80 mil habitantes localizado na zona oeste da cidade.

Fragata
  Bairro do Brasil  
O Campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense, uma das principais escolas da cidade, está situado no bairro Fragata
O Campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense, uma das principais escolas da cidade, está situado no bairro Fragata
Localização
Administração
Bairros limítrofes
Características geográficas
População total 75,238 hab.
 • Número de eleitores 50.410
 IDH 0,789
Outras informações
Domicílios 12.603
Rendimento médio mensal R$ 7.002
Energia elétrica (%) 90
Água encanada (%) 85
Coleta de lixo (%) 83
Fonte: http://www.pelotas.rs.gov.br/cidade_dados/pelotas_dados.htm

Etimologia

Fragata é uma palavra importada da língua italiana, fregata (navio de guerra), que vem do latim "aphractus" (um barco aberto), cuja origem está em duas palavras do grego antigo, quais sejam ἄφρακτος (áphraktos, "indefeso" a partir de - (a-), partícula de negação, ausência, + φράκτης (phráktēs), "cerca"), e ναῦς (naûs, "navio").

O nome aplicado ao bairro originou-se da alcunha (apelido) de Antônio dos Anjos, um proeminente sesmeiro e charqueador, benemérito da religião e um dos pais da cidade de Pelotas. Ele era filho de um contra-mestre de navios e também proprietário de fragatas que transportavam os produtos de sua charqueada pelo arroio do Fragata (em sua homenagem) que ladeia o bairro dividindo-o com o município de Capão do Leão.

As atividades de Antônio dos Anjos em Pelotas começam nas últimas décadas do século XVIII. Em sua homenagem também há a rua Antônio dos Anjos, na região central da cidade.

Conforme assegurou o pesquisador, professor Mário Osório Magalhães:

[Antônio Francisco dos Anjos] era o capitão-mor, o cidadão mais importante deste distrito da Vila de Rio Grande, o homem que, tratado de "Fragatinha" na intimidade, emprestou seu apelido, sem diminutivo, a uma parte do arroio em cuja margem possuía grande charqueada. Emergindo do arroio, o nome atravessou juncais, pisou macegas, vadeou caminhos, cruzou cercas e alambrados. Passou por cruzes, velas, sentinelas, armas. Invadindo esquinas e quarteirões, estendeu-se a todo um bairro – há longo tempo o mais populoso bairro de Pelotas.[1]

Antecedentes

Em 1740, chegou a este rincão a primeira leva de colonizadores, vindos da Ilha dos Açores, Portugal, apenas 3 anos após a descoberta do Rio Grande do Sul pelos portugueses. Os açorianos são os primeiros colonizadores de fato, antepassados de muitas famílias pelotenses. Agricultores, trouxeram as sementes sendo os primeiros plantadores de trigo. Legaram a seus descendentes o gosto pela música, pelo teatro e a pompa nas solenidades. Deles foram herdados muito da religiosidade e costumes.

Em 18 de junho de 1758 o governador do Rio de Janeiro e capitão-general Gomes Freire de Andrade, Conde de Barbacena doou, por documento, ao Coronel Thomáz Luiz Osório, uma sesmaria nas terras denominadas "Rincão das Pelotas", que ele havia ganho, do Rei Dom José I, de Portugal, e que ficavam às margens da Lagoa dos Patos (Laranjal), pelos préstimos que o Conde teve nas guerras contra os guaranis de 1750. Como eram terras que não lhe chamavam atenção, pela longa distância, o conde tratou de doá-las à Osório, que o ajudara na guerra guaranítica. É a primeira vez que se encontra registrado o nome Pelotas. Osório nem chegou delas usufruir pois foi enforcado como um traidor em Lisboa, acusado de facilitar a conquista espanhola em abril de 1763 da Fortaleza de Santa Tereza, em Castillos.

Com a invasão espanhola ao então Rio Grande do Sul e a tomado do Forte Jesus, Maria, José de Rio Grande em 1763, houve uma fuga em massa da tropa e da população de Rio Grande. Armazéns foram saqueados, igrejas assaltadas, e não havia canoas suficientes para a travessia do canal. Os colonos açorianos foram os que mais sofreram: gente pobre e sem proteção, tiveram de abandonar suas lavouras e seus animais para o invasor. Muitos desses colonos, surpreendidos em suas chácaras pelos espanhóis, foram enviados para o Uruguai. Outros fugiram para a Campanha Gaúcha. Rio Grande só seria recuperada aos portugueses em 2 de abril de 1776.[2]

Diante do ataque fulminante do governador da Província de Buenos Aires, D. Pedro de Cevallos, os poucos soldados portugueses não resistiram. Os espanhóis postaram guardas em São José do Norte e impediram a passagem de embarcações portuguesas pelo canal. Os portugueses tinham dificuldades de abastecer e articular seus soldados, pois não podiam navegar na Lagoa dos Patos e no canal de Rio Grande. O comércio entre os povoados também estava comprometido. A sede do governo foi transferida para a Capela do Viamão, onde já havia um registro. Os portugueses adotam a prática de guerrilhas na Campanha e no nordeste do estado, privando os espanhóis de gado e cavalhadas.[3]

Neste ínterim, muitas famílias fugiram de Rio Grande e do Povo Novo às terras doadas ao já enforcado Thomás Luiz Osório. Mais tarde, vieram também os retirantes da Colônia do Sacramento, entregue pelos portugueses aos espanhóis em 1777, pelo Tratado de Santo Ildefonso.

Em 1779, Dona Francisca Joaquina de Almeida Castelo Branco, viúva do coronel Thomaz Luiz Osório, vendeu sua sesmaria, ou seja, as terras havidas pela doação de 18 de junho de 1758, conhecida por Rincão de Pelotas, pelo valor de um conto e duzentos mil réis, as quais passaram à propriedade do casal Isabel Francisca da Silva e Manoel Bento Rocha, capitão-mor. Através da venda e sucessivas heranças a propriedade deu origem a estâncias e charqueadas.

Logo após a venda das terras de Pelotas pela viúva do coronel Thomaz Luiz Osório, já em 1780, instala-se em Pelotas o charqueador português José Pinto Martins, imigrando do Ceará. Entre janeiro e fevereiro de 1781, começou a distribuição formal de terrenos marginais a diversas pessoas.[4]

Em 1785, o capitão Antônio Ferreira dos Santos realizou um levantamento dos posseiros e proprietários da futura cidade: Contou 40 pessoas. Das propriedades localizadas entre o Arroio Pavão e o Arroio Grande, sete vieram a formar o município de Pelotas. Chamavam-se Feitoria, Pelotas, Monte Bonito, Santa Bárbara, São Tomé, Santana e Pavão.

Com exceção da Feitoria, que se limitava pela laguna e os arroios Grande e Correntes, todas as outras tiveram os seguintes limites: ao sul, o sangradouro; ao norte, a serra dos Tapes; a leste e oeste, intercalavam-se os arroios Pavão, Padre-Doutor ou Tomé, Fragata ou Moreira, Santa Bárbara e Pelotas. Na estância do Monte Bonito, houve uma segunda divisão de terras, entre 19 pequenos proprietários.

As estâncias deram origem a mais ou menos uma dúzia de charqueadas. Com a segunda divisão, de pequenos lotes de terrenos, foram implantadas perto de 30 estabelecimentos, destinados exclusivamente ao preparo da carne salgada e seus subprodutos. Ao longo do século XIX, a sesmaria de Pelotas resultou em várias charqueadas e estâncias, dentre as quais, Patrimônio ou Sá; Graça; Palma; Galatéia e Laranjal ou Nossa Senhora dos Prazeres. Um dos saladeiros situava-se no Laranjal, num lugar chamado Picada Real. Os outros seis, localizaram-se na margem esquerda do arroio Pelotas, nos seguintes lugares: na Graça; no Moreira; na Costa; no Fontoura; no Castro e na Palma.[5]

Rapidamente as charqueadas se multiplicaram às margens do Arroio Pelotas, do Canal de São Gonçalo e do Arroio Santa Bárbara impulsionadas pelos pioneiros do povoamento, muitos dos quais repatriados da Colônia do Sacramento. Dentre os repatriados, estava o alferes Félix da Costa Furtado de Mendonça, acompanhado da mulher Ana Josefa Pereira e seus três filhos Hipólito José da Costa, José Saturnino da Costa e Felício Joaquim (futuro primeiro pároco de Pelotas), além de seus cunhados Padre Doutor Pedro Pereira Fernandes de Mesquita e Padre Antônio Farias Fernandes de Mesquita.

Tão logo chegam aqui, por volta de 1779, Félix juntamente com seu cunhado, o Padre Doutor, fundaram a estância Sant’Ana, "nos campos da Vila do Rio Grande, na parte setentrional do sangradouro da Lagoa Mirim"[6], mais tarde município de Pelotas, hoje Capão do Leão. Terras concedidas por Dom José Luís de Castro, 2º Conde de Resende e 5º Vice-Rei do Brasil, conforme registros em cartas de sesmarias tiradas mais tarde, em 1794.

A estância Sant’Ana confrontava no sudoeste com a Estância do Pavão, uma das sete primeiras estâncias ao norte do Canal São Gonçalo, concedida a Rafael Pinto Bandeira, o primeiro caudilho riograndense. A provável estadia de Félix no Rio de Janeiro teria facilitado a concessão destas terras por reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo alferes e pelo capelão militar na Colônia do Sacramento e de acordo com o interesse do vice-reinado em povoar o interior do Rio Grande. Estabelecido na região, foi então designado para comandar uma Companhia de Ordenanças, a primeira força militar organizada em Pelotas, quando ainda povoado, em 1784.

O Padre Doutor foi nomeado 8º pároco e Vigário da Vara de Rio Grande, a qual o Rincão de Pelotas estava subordinado, em 1º de setembro de 1783. Deixou a paróquia dez anos depois, em 1793, e continuou como Vigário da Vara até 1805.

Transcorridas infância e adolescência junto à família nos Cerros de Sant’Ana no Capão do Leão, Felício Joaquim aos 23 anos concluiu seus estudos no Rio de Janeiro e foi ordenado padre em 20 de setembro de 1800 pelo sétimo bispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco. Padre Felício depois de ordenado volta ao sul, fica ligado à paróquia do Rio Grande e coadjutor do seu tio Padre Doutor que até 1805 foi Vigário da Vara, isto é, representante do Bispo do Rio de Janeiro e supervisor das atividades da igreja na jurisdição de Rio Grande.

Padre Doutor, mesmo depois de 1805, quando se retirou para a estância Sant’Ana, usou seu prestígio junto ao bispado do Rio de Janeiro no sentido de serem criadas novas paróquias, pois a paróquia de Rio Grande, desmembrada da paróquia de Laguna, em Santa Catarina, abrangia grande parte do Rio Grande do Sul, desde o Rio Camaquã ao norte até os domínios de Espanha ao sul.

Entre 1810 e 1811, Padre Felício foi ao Rio de Janeiro enviado e custeado pelo Padre Doutor para agilizar o atendimento das suas solicitações de criação de novas paróquias. Na época vigorava o tratado de vinculação entre a Igreja Católica e o Reino de Portugal, pelo qual a administração e organização da igreja eram delegadas ao monarca e o reino arcava, em contrapartida ao poder religioso adquirido, com a manutenção do clero. Desta forma, a criação de paróquias dependia da indicação do bispo e autorização do soberano, na época o Príncipe Regente Dom João. Por sua vez, às paróquias eram atribuídas funções típicas do poder político como o registro civil das pessoas, assentamentos de nascimento, batismo, casamento e óbito.[7]

Padre Felício retornou do Rio de Janeiro com ótimas notícias pois estava decidida a criação de paróquias nos rincões das Pelotas, do Canguçu, do Piratini e do Serrito: paróquia de São Francisco de Paula de Pelotas, de Nossa Senhora da Conceição de Canguçu, de Nossa Senhora da Conceição de Piratini e do Divino Espírito Santo do Serrito, em Jaguarão. Em 7 de julho de 1812 o príncipe Dom João assinou o alvará da criação da Freguesia de São Francisco de Paula. No regime colonial português, freguesia era a menor divisão política administrativa coincidente com a paróquia, pois não havia uma estrutura civil separada da estrutura eclesiástica. Foi dado o nome de São Francisco de Paula. Consta que, antes, a população de Pelotas já era atendida num Oratório dedicado a São Francisco de Paula, às margens do Canal de São Gonçalo. Nesta região, São Francisco de Paula era homenageado por ser o santo do dia 2 de abril de 1776, em que os espanhóis foram expulsos da Vila do Rio Grande, após ser retomada por ação militar no dia anterior.[8]

Finalmente, em 1815 em um terreno da sesmaria do Monte Bonito, o padre Felício, da estância de Santana, e seu vizinho, o capitão-mor Antônio dos Anjos, da charqueada do Fragata, deram início à construção do que veio a ser o primeiro loteamento da cidade de Pelotas.[9]

História

Hoje o Bairro Fragata compreende o território que nas eras remotas eram ocupadas principalmente pela sesmaria de Santa Bárbara[10] (cuja carta de sesmaria data de 1790 em benefício de Theodósio (ou Teodoro) Pereira Jacomé)[11] e a parte mais ao fim do bairro em direção à Capão do Leão pela sesmaria de São Tomé[10], originalmente pertencente ao português Antônio dos Santos Saloyo, natural da antiga freguesia de Santo Antão do Tojal, em Loures, mas que antes de 1787 já pertencia a Manoel Moreira de Carvalho[12]

Em 20 de abril de 1799 a antiga Sesmaria de São Tomé que pertencera a Antonio dos Santos Aloyo, depois a Manoel Moreira de Carvalho e sua senhora Maria Anjos da Encarnação (que deram nome ao arroio Moreira), vendida posteriormente a Alexandre da Silva Baldez e a Francisco Araújo Rosa foi adquirida pelo ilustre capitão-mor Antonio Francisco dos Anjos, o "Fragatinha", charqueador e sesmeiro, um dos pais da cidade, dono das famosas fragatas que singravam o Arroio Fragata e Canal São Gonçalo e essa propriedade passou a ser chamada de Estância e Charqueada do Fragata[10] Parte do antigo 4º distrito de Pelotas, hoje Município do Capão do Leão, era parte integrante das terras desta estância do Fragata.

Quanto a Sesmaria de Santa Bárbara, cujas terras preenchem quase todo o bairro Fragata, passou a se chamar Estância Santa Bárbara em 1817. A estância deixou de existir em 1851 com a morte de Rita Leocádia de Moraes Borges, última dona. Seus despojos foram partilhados entre herdeiros, vendidos ou abandonados. Quando em 1878 João Limões Lopes comprou o que restava das terras de um dos herdeiros, no que ficou conhecido como Estância da Graça, nem a Charqueada Santa Bárbara não existia mais[11]. As primeiras áreas de terra já tinham sido abandonadas e incorporadas à área urbana de Pelotas desde 1851. Um resto de alguma construção original ainda pode ser visto na rua Barão de Santa Tecla entre as ruas Conde de Porto Alegre e João Manoel[13].

Desde os idos de 1830, atravessando esta propriedade, foi feita uma picada a foice e facão por dentro do matagal, para se levar gado às charqueadas e os boieiros virem das colônias. Essa picada é a atual Avenida Duque de Caxias, principal artéria do bairro, antigo Passo do Fragata. Esse corredor na época passava a maior parte do ano interditado pela péssima situação do lugar, principalmente no inverno quando chovia muito, ficando semanas interrompendo a passagem até situação por si mesmo melhorar. Muitos macanudos se arriscavam tentando encontrar um lugar, um caminho, um beco ou uma saída para atravessar o matagal e, assim acabavam perdidos nos matos, se embretando em cafundós de espinhos e brecas atoladiças, vindo até a perder a vida embrenhado nos peraus, como afirma esta historiadora:

Ali, além dos insetos, mosquitos, mutuca, que proliferavam no verão, as carretas e o gado, tentando encontrar passagem na estrada intransitável, acabavam por perder-se nos matos existentes. No inverno, quando mais chovia, o passo dos Carros ficava por mais de um dia interrompido; o passo do Fragata, na mesma situação, ficava de uma semana a uma quinzena sem passagem. Essas eram as opções para quem vinha de Piratini, do Serro da Buena, do Capão do Leão e de parte da Serra dos Tapes, acessos terrestres importantes para a Vila de São Francisco de Paula[14].

A medida que a municipalidade foi melhorando esta estrada, após a morte de Rita Leocádia em 1851, foram surgindo armazéns que comercializavam produtos coloniais e casas esparsas de retirantes. Como era uma rota obrigatória de circulação de pessoas do interior para a cidade, o crescimento urbanístico foi verificado paulitanamente, principalmente através de armazéns como secos e molhados (alimentos e bebidas) que se instalaram no local. Mas era comum também as chácaras, as granjas, leiterias e outros estabelecimentos rurais ou simplesmente moradias. Também se verificava amplas áreas de lazer e diversão pertencente a famílias abastadas (ricas), principalmente na virada dos anos 1900.

Em [1855]] a primeira morte por cólera morbus na cidade, no contexto da Pandemia de cólera de 1846–1860, trouxe terror aos moradores. A Irmandade do Santíssimo Sacramento responsável pelos Cemitério Católico construído em 1825 no quarteirão da Avenida Bento Gonçalves com Doutor Amarante, entre as ruas General Osório e Andrade Neves, teve de fechá-lo porque em menos de 15 dias morreram mais de 30 pessoas. O cemitério foi destruído naquele ano. A Santa Casa de Misericórdia de Pelotas teve de agilizar o término do Campo Santo Católico, iniciado em 1852, tendo o Município desapropriado terras dos herdeiros de Rita Leocádia, por utilidade pública. Em 1878 foi cedida a parte dos fundos para os alemães luteranos enterrarem seus mortos, na parte conhecida como ala protestante. Em 1880 uma piedosa senhora benemérita Dona Zeferina Maria Gonçalves da Cunha mandou construir uma capela a Nosso Senhor do Bonfim, em estilo barroco, com 150 palmeiras e um extenso jardim, para as celebrações da Santa Missa fúnebres além das dominicais e de dias santos de guarda. As ruínas ainda são vistas no local. Em 1976 na frente do Cemitério foi inaugurada a ala nova em projeto modernista pelo bispo católico dom Antônio Zattera e o pastor luterano reverendo Walter Antunes Braga. Este é hoje o mais famoso cemitério de Pelotas, chamado desde 1976 Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula[15] A ala velha, amplamente preenchida de mausoléus e estátuas de riquíssimo mármore branco em finíssimos acabamentos, evidencia a riqueza pujante da elite charqueadora na Era de Ouro de Pelotas[10]

Em 1905, a estrada do Fragata (depois estrada de Piratini, estrada Geral, Avenida Vinte de Setembro, Avenida Daltro Filho até 1958 e desde então Avenida Duque de Caxias) já era a mais larga da cidade e do Estado. Para embelezá-la ao espírito da Belle Époque, Carlos Ritter plantou dez mil pés de eucaliptos.

Em 1883 foi inaugurado o Parque Souza Soares, um dos maiores da América Latina, com 200 mil m² e logo depois o parque Ritter, cuja mansão abriga hoje a Faculdade de Medicina da UFPEL.


Atrações

O bairro possui estrutura de uma cidade, tendo Postos de Saúde, Associação Comercial, 2 Empresas de ônibus urbano (Santa Silvana e PRATI Pelotas) e uma Empresa de ônibus rodoviário (Transportes Rainha).

A Rodoviária municipal de Pelotas está localizada no bairro, assim como o Centro de Eventos da FENADOCE.

O Bairro Fragata possui ainda um Clube de Futebol Profissional - Grêmio Atlético Farroupilha, com seu respectivo Estádio General Nicolau Fico - que atualmente (2017) disputa a Terceira Divisão do Campeonato Gaúcho.

A Avenida Duque de Caxias é a principal via do bairro, com uma extensão de aproximadamente 4,5 Km, tendo seu inicio no final da Praça 20 de setembro (o Canal Santa Bárbara é o marco de divisão das duas vias, que na verdade são apenas continuidade uma da outra) e o seu final na BR-392.

Até o ano de 1982 fazia parte do Bairro Fragata, a localidade chamada Jardim América, que com a emancipação de Capão do Leão naquele ano, passou fazer parte do novo município. Hoje a referida localidade faz parte do conglomerado urbano do sul.

O Bairro é composto, além da artéria principal, de vários sub-bairros, entre os quais os principais são: Cohab-Fragata, Vila Gotuzzo, Guabiroba, Passo do Salso, Virgílio Costa, Verona, entre outros. Possui ainda diversos condomínios residenciais de grande porte, todos com mais de 500 apartamentos.

Além da Avenida Duque de Caxias, o bairro possui outras grandes artérias vitais para o deslocamento da população fragatense e pelotense, como a avenida Teodoro Müller, a avenida Cidade de Lisboa, a Rua Frontino Vieira, a Avenida João Goulart, a Avenida Pinheiro Machado, a Rua Imperador D. Pedro I, entre outras.

Estão localizados no Fragata, também, a Faculdade de Medicina e Obstetrícia da Universidade Federal de Pelotas, o cemitério principal da cidade e o quartel do Exército 9º BI, uma empresa das bebidas americanas Coca-Cola, um shopping próprio do bairro, alguns dos principais Ctg's de Pelotas: Thomaz Luiz Osório, Raízes do Sul e Candeeiro Crioulo, uma das principais escolas de samba pelotenses Unidos do Fragata e algumas das principais bandas carnavalescas de Pelotas, como a Kibandaço, Entre a Cruz e a Espada e a Meta Carnavalesca.

O bairro possui várias escolas, como a E.M.E.F. Nossa Senhora de Lourdes, E.E.E.G. Osmar Da Rocha Grafulha (CIEP), E.E.E.M Adolfo Fetter, E.E.E.F. Nossa Senhora de Fátima, E.M.E.F. Olavo Bilac, E.E.E.F. Dr. Armando Fagundes, E.T.E Prof. Sylvia Mello, E.M.E.F. Brum Azeredo, E.E.E.F Visconde de Souza Soares e o Colégio Tiradentes da Brigada Militar inaugurado no ano de 2011, sendo uma das melhores escolas de ensino médio de Pelotas e do Rio Grande do Sul. O bairro Fragata também tem seu próprio arroio, o Arroio Fragata, que corta Pelotas do bairro leonense Jardim América.

Alguns dos sub-bairros: Verona, Vila Gotuzzo, Cohab Fragata, Vila dos Tocos, Asa Branca, Cohab duque, Padre Réus, Passo do Salso, Guabiroba, Farroupilha, Sto. Antônio de Pádua, entre outros.

Referências

  1. MAGALHÃES, Mario Osório. História e tradições da cidade de Pelotas. 2ª ed. 1981 Universidade Caxias do Sul. UCS, Instituto Estadual do Livro IEL/ RS
  2. «Invasão Espanhola»
  3. «Breve História de Pelotas» (PDF)
  4. «O MONTE BONITO COBRIU-SE DE SANGUE: HISTÓRIA DO SÍTIO CHARQUEADOR PELOTENSE, RS» (PDF)
  5. «Viva o Charque, a memória do ciclo do charque em Pelotas»
  6. «Padre Felício»
  7. «Pelotas: Um pedido dos Anjos»
  8. «Felício Joaquim da Costa Pereira»
  9. GUTIERREZ, Ester J.B. Negros, charqueadas e olarias: um estudo sobre o espaço pelotense. Pelotas/RS: Ed. Universitária/UFPel, 2001, p. 66-67
  10. «Viagem na Memória do FRAGATA: Estudo sobre a História e Cultura de um "BAIRRO CIDADE"» (PDF)
  11. «Às margens do esquecimento: O percurso histórico da charqueada Santa Bárbara» (PDF)
  12. «Sesmaria de São Tomé»
  13. «Pesquisa descobriu a charqueada de Santa Bárbara»
  14. GUTIERREZ, Éster J.B. Barro e Sangue: mão-de-obra, arquitetura e urbanismo em Pelotas 1777-1888 – Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 1999
  15. https://povoadoresdepelotas.blogspot.com/2017/08/cemiterios-de-pelotas-fontes-historicas.html
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