Strombus pugilis

Strombus pugilis (nomeada, em inglês, West Indian fighting conch;[1] em castelhano, Caracol canelo ou Lancetita;[2] em português, no Brasil, Preguari, com diversas variações ao redor deste nome, como Perigoari[3] ou Periguari, Peguari, Praguari e Taguari; além de ser conhecida como Atapú e Lingueta;[4][5] em Portugal, Estrombo-lutador-das-Índias-Ocidentais)[6] é uma espécie de molusco gastrópode marinho pertencente à família Strombidae. Foi classificada por Carolus Linnaeus em 1758, na obra Systema Naturae[7] (com sua localidade-tipo na Costa dos Mosquitos, Nicarágua; embora Moscatelli cite a Jamaica como localidade-tipo);[4][8] sendo considerada a espécie-tipo do gênero Strombus.[9] É nativa do oeste do oceano Atlântico; no sudeste da Flórida (EUA),[1] golfo do México, mar do Caribe, norte da América do Sul[7] e por toda a costa brasileira.[8]

Strombus pugilis
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Subclasse: Caenogastropoda
Clado: Hypsogastropoda
Ordem: Littorinimorpha
Família: Strombidae
Gênero: Strombus
Espécies:
S. pugilis
Nome binomial
Strombus pugilis
Sinónimos
  • Drillia actinocycla Dall & Simpson, 1901 (Descrito a partir da protoconcha e das primeiras espirais de Strombus pugilis)
  • Pyramis striata Röding, 1798
  • Strombus cornutus Perry, 1811
  • Strombus nicaraguensis Fluck, 1905
  • Strombus peculiaris M. Smith, 1940
  • Strombus pugilis peculiaris M. Smith, 1940
  • Strombus pugilis worki Petuch, 1993
  • Strombus sloani Leach, 1814
  • Strombus worki Petuch, 1993

Descrição da concha

Conchas de 6 a 10 centímetros,[4] de coloração alaranjada a salmão e constantemente apresentando uma mancha de coloração púrpura na região do canal sifonal, com sua espiral pouco destacada, porém visível, contendo de 8 a 9 voltas com projeções similares a espinhos[10] e com a sua última volta formando uma aba dotada de lábio externo engrossado, quando desenvolvidas. Sua columela é brilhante[4] e suas primeiras voltas são dotadas de costelas axiais,[10] ao invés de projeções espiniformes, o que já o fez ser descrito como outra espécie: Drillia actinocycla Dall & Simpson, 1901.[7] Indivíduos juvenís também apresentam lábio externo fino e podem ser confundidos pelo não-especialista com conchas do gênero Conus. Sua abertura apresenta um opérculo córneo que não fecha completamente sua entrada.[4]

Filogenia

 

Strombus gallus

Strombus gigas

Strombus costatus

Strombus raninus

Strombus peruvianus

Strombus galeatus

Strombus latus

Strombus pugilis

Strombus alatus

Strombus gracilior

Strombus granulatus

Latiolais e colegas (2006) propuseram uma hipótese das relações de parentesco entre 34 espécies pertencentes à família Strombidae. Dentre elas, os autores analisaram 31 espécies alocadas, à época, no gênero Strombus, incluindo Strombus pugilis. Baseado em sequências de DNA tanto da histona nuclear H3 quanto das regiões gênicas codificadoras da proteína mitocondrial citocromo c oxidase I (COI), o cladograma resultante mostra Strombus pugilis e Strombus alatus como espécies irmãs, compartilhando um provável ancestral comum. Além disso, formam um clado com as espécies Strombus gracilior (táxon irmão de S. pugilis + S. alatus) e Strombus granulatus (táxon irmão de S. pugilis + S. alatus + S. gracilior; a primeira do Atlântico e as duas últimas do Pacífico).[11]

Habitat, hábitos e uso

Strombus pugilis ocorre em águas rasas, entre 2[10] a 20 metros de profundidade e em substrato arenoso-lodoso, onde se alimentam de algas microscópicas[4] (ou macroscópicas, como Halymenia)[12] e detritos vegetais.[4] Quando lançados à praia, tendem a dar saltos para retornar ao ambiente marinho,[3] daí provindo o seu nome comum em inglês West Indian fighting conch ("concha lutadora das Índias Ocidentais"). Esta espécie comum é utilizada pelo Homem como alimento, podendo ser encontrada nos sambaquis litorâneos,[4][13] além de ser utilizada em artesanato,[14] na indústria de cal e para o colecionismo.[4] Na medicina tradicional do nordeste do Brasil, o animal de Strombus pugilis é usado como zooterápico para a confecção de um caldo afrodisíaco.[5]

Referências

  1. ABBOTT, R. Tucker; DANCE, S. Peter (1982). Compendium of Seashells. A color Guide to More than 4.200 of the World's Marine Shells (em inglês). New York: E. P. Dutton. p. 77. 412 páginas. ISBN 0-525-93269-0
  2. WARD, C. Herb (2017). Habitats and Biota of the Gulf of Mexico: Before the Deepwater Horizon Oil Spill. Volume 1: Water Quality, Sediments, Sediment Contaminants, Oil and Gas Seeps, Coastal Habitats, Offshore Plankton and Benthos, and Shellfish (em inglês). New York: SpringerOpen - Google Books. p. 775. 868 páginas. ISBN 978-1-4939-3445-4. Consultado em 25 de abril de 2020
  3. SANTOS, Eurico (1982). Zoologia Brasílica, vol. 7. Moluscos do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia. p. 108-110. 144 páginas
  4. MOSCATELLI, Renato (1987). A Superfamília Strombacea no Atlântico Ocidental. São Paulo: Antônio A Nano & Filho Ltda. p. 29-42. 98 páginas
  5. Costa Neto, Eraldo Medeiros (setembro de 2006). «Os moluscos na zooterapia: medicina tradicional e importância clínico-farmacológica». Biotemas, 19 (3). (Periódicos UFSC). pp. 71–78. Consultado em 25 de abril de 2020. No estado da Bahia, os caldos feitos de lambreta (L. pectinata) e tapu (Turbinella laevigata Anton, 1839) são tomados para tratar “nervo fraco” (afrodisíaco); a moqueca e o caldo feitos do taguari (Strombus pugilis L., 1758), do rochelo (Pugilina morio [L., 1758]) e da taioba (espécie não identificada) também são consumidos como afrodisíaco (Costa Neto, 1999).
  6. Ferreira, Franclim F. (2002–2004). «Conchas». FEUP. 1 páginas. Consultado em 13 de junho de 2020
  7. «Strombus pugilis» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 29 de janeiro de 2017
  8. «Strombus pugilis». Conquiliologistas do Brasil. 1 páginas. Consultado em 29 de janeiro de 2017
  9. «Strombus» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2020
  10. RIOS, Eliézer (1994). Seashells of Brazil (em inglês) 2ª ed. Rio Grande, RS. Brazil: FURG. p. 68. 492 páginas. ISBN 85-85042-36-2
  11. Latiolais, Jared M.; Taylor, Michael S.; Roy, Kaustuv; Hellberg, Michael E. (novembro de 2006). «A molecular phylogenetic analysis of strombid gastropod morphological diversity» (em inglês). Molecular Phylogenetics and Evolution. Volume 41, Issue 2. (Elsevier). pp. 436–444. Consultado em 1 de setembro de 2020
  12. Sánchez, Fabiola Chong; Díaz, Martha Enríquez; Aranda, Dalila Aldana (novembro de 2013). «Acondicionamiento del Caracol Strombus pugilis, Linnaeus, 1758 con Dietas Formuladas en Laboratorio» (PDF) (em espanhol). Proceedings of the 66th Gulf and Caribbean Fisheries Institute. pp. 474–475. Consultado em 30 de janeiro de 2017. Arquivado do original (PDF) em 2 de fevereiro de 2017. .
  13. SOUZA, Rosa Cristina Corrêa Luz de; LIMA, Tania Andrade; SILVA, Edson Pereira da (2011). Conchas Marinhas de Sambaquis do Brasil 1ª ed. Rio de Janeiro, Brasil: Technical Books. p. 173. 252 páginas. ISBN 978-85-61368-20-3
  14. Alves, Marcos Souto; Silva, Maria Aparecida da; Melo Júnior, Mauro; Paranaguá, Maryse Nogueira; Pinto, Stefane de Lyra (dezembro de 2006). «Zooartesanato comercializado em Recife, Pernambuco, Brasil». Revista Brasileira de Zoociências 8(2) (UFJF). 104 páginas. Consultado em 29 de janeiro de 2017. Foram contadas 200 conchas compondo peças utilitárias e figurativas, tais como chaveiros e barquinhos.

Ligações externas

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