Swing states no Brasil

O anglicismo swing state (em português: estado pendular) é utilizado na política norte-americana para designar unidades da federação que ora votam nos candidatos do Partido Republicano, ora votam em candidatos do Partido Democrata, funcionando como uma espécie de pêndulo a cada eleição.[1]

Parte da série sobre
Política do Brasil
Portal do Brasil

Embora essa definição não seja usada no Brasil, nos últimos anos, o termo em inglês, swing state, vem sendo inserido na política nacional ao classificar estados que podem alternar a sua ideologia política de acordo com a eleição decorrente.[2] O exemplo mais usado de um swing state no Brasil é o estado de Minas Gerais.[3] Entretanto, outros estados também podem ser classificados nessa categoria, por variarem de posição política com frequência ou de dar aos candidatos uma margem apertada de vitória ou derrota.

Petismo versus antipetismo

A partir da eleição presidencial brasileira de 2006, o mapa político do Brasil se dividiu entre uma porção, mais ao Norte e Nordeste que tende a votar na esquerda política e outra que tende á direita política, mais ao Centro-Oeste e Sul.[4]

Mapa do Brasil colorido de acordo com a eleição presidencial no Brasil em 2006.

Desde as eleições de 2006, o Brasil vem apresentando um cenário bipolar, onde o petismo enfrenta o antipetismo. Essa disputa tradicional define as cores de cada estado nas eleições, sendo que o antipetismo foi fortemente representado pelo PSDB até as eleições de 2014, quando surgiu o bolsonarismo no Brasil, como um novo movimento político de extrema-direita que passou a ser a nova oposição ao petismo, cargo anteriormente ocupado pelos tucanos, isto é, pelo PSDB.[5]

Essa definição permite dividir o Brasil em três grupos estaduais. O primeiro são os redutos petistas. Esses estados estão majoritariamente na região Nordeste do Brasil, como Bahia e Piauí, que dão vitória aos candidatos do Partido dos Trabalhadores com grande folga nas eleições presidenciais.

Por outro lado estão os redutos bolsonaristas, antes eram redutos do PSDB. Esses estados estão majoritariamente no Centro-Oeste e no Sul do Brasil, além de alguns estados do Norte e do Sudeste, como é o caso do Espírito Santo.[6]

E, por fim, existem os estados pendulares, ou swing states, que variam de acordo com a eleição decorrente, como são os casos de Amapá, Amazonas e Minas Gerais,[7] que vinham virando nos presidenciáveis do Partido dos Trabalhadores desde 2002, porém, na eleição presidencial brasileira de 2018 mudaram de lado, e votaram majoritariamente no candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

Ao longo dos últimos anos, alguns estados dão a vitória à esquerda ou à direita com uma margem apertada, ou ainda, até mudam de ideologia dependendo da eleição e dos candidatos que nela concorrem. Um exemplo dessa mudança ocorreu em 2014 no Rio Grande do Sul. O estado vinha dando uma vitória apertada aos oponentes do PT desde 2006, entretanto, em 2014, a então presidente e candidata do PT, Dilma Rousseff, chegou a sair na frente do Rio Grande do Sul no primeiro turno das eleições, todavia perdeu para seu oponente, o tucano Aécio Neves, no segundo turno.[8]

Eleição presidencial de 2018

No primeiro turno da eleição presidencial brasileira de 2018, seis estados brasileiros surpreenderam e votaram em um partido diferente daquilo que vinha ocorrendo desde anos anteriores.

Resultados eleitorais no primeiro turno por unidade da federação. Em azul, os estados onde Jair Bolsonaro venceu; em vermelho, onde Fernando Haddad venceu; e em laranja, onde Ciro Gomes venceu.

Os estados do Amapá, Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins votaram no candidato do Partido dos Trabalhadores em todas as eleições desde 2002. Foi a primeira vez que os seis estados optaram por um outro candidato.

Jair Bolsonaro venceu no Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Tocantins e em seu domicílio eleitoral, o Rio de Janeiro. Já Ciro Gomes venceu em seu estado, o Ceará. Apesar dessa virada inédita, o PT recuperou o Ceará e o Tocantins dias depois, no segundo turno da eleição presidencial.[9]

Apesar dessa leve recuperação, 2018 foi o ano que o PT teve o seu pior desempenho em vinte anos.[10]

Swing states brasileiros

Abaixo, segue uma lista de estados brasileiros que oscilaram de uma ideologia política para a outra ou que deram uma margem de vitória apertada para um dos candidatos da eleição presidencial de 2010 até a atualidade.

  Estado vencido por um candidato de esquerda/centro-esquerda
  Estado vencido por um candidato de direita/centro-direita
  Estado vencido por candidatos diferentes no primeiro e segundo turno
Estado Ano Candidato Partido % de vantagem
 Amapá 2010 Dilma Rousseff PT 26.02%
Dilma Rousseff PT 25.32%
2014 Dilma Rousseff PT 25.66%
Dilma Rousseff PT 22.90%
2018 Jair Bolsonaro PSL 7.97%
Jair Bolsonaro PSL 0.40%
2022 Lula da Silva PT 2.26%
Jair Bolsonaro PL 2.72%
 Amazonas 2010 Dilma Rousseff PT 56.51%
Dilma Rousseff PT 61.14%
2014 Dilma Rousseff PT 30.04%
Dilma Rousseff PT 35.13%
2018 Jair Bolsonaro PSL 3.18%
Jair Bolsonaro PSL 0.54%
2022 Lula da Silva PT 6.78%
Lula da Silva PT 2.2%
 Minas Gerais 2010 Dilma Rousseff PT 16.22%
Dilma Rousseff PT 16.90%
2014 Dilma Rousseff PT 6.73%
Dilma Rousseff PT 4.82%
2018 Jair Bolsonaro PSL 20.66%
Jair Bolsonaro PSL 16.38%
2022 Lula da Silva PT 4.69%
Lula da Silva PT 0.4%
 Rio de Janeiro 2010 Dilma Rousseff PT 21.23%
Dilma Rousseff PT 20.96%
2014 Dilma Rousseff PT 8.69%
Dilma Rousseff PT 9.88%
2018 Jair Bolsonaro PSL 45.1%
Jair Bolsonaro PSL 35.9%
2022 Jair Bolsonaro PL 10.41%
Jair Bolsonaro PL 13.06%
 Rio Grande do Sul 2010 Dilma Rousseff PT 6.36%
José Serra PSDB 1.88%
2014 Dilma Rousseff PT 9.88%
Aécio Neves PSDB 1.79%
2018 Jair Bolsonaro PSL 29.82%
Jair Bolsonaro PSL 26.48%
2022 Jair Bolsonaro PL 6.61%
Jair Bolsonaro PL 12.7%
 Tocantins 2010 Dilma Rousseff PT 22.99%
Dilma Rousseff PT 17.76%
2014 Dilma Rousseff PT 22.56%
Dilma Rousseff PT 18.98%

2018

Jair Bolsonaro PSL 3.52%
Fernando Haddad PT 2.04%
2022 Lula da Silva PT 6.4%
Lula da Silva PT 2.72%

Rio Grande do Sul

O estado do Rio Grande do Sul votou majoritariamente no candidato do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva em 1989, 1994, 1998 e 2002. O estado rejeitou o petista em 2006 e votou na sua sucessora, Dilma Rousseff, tanto em 2010 quanto em 2014 nas eleições do primeiro turno, entretanto, em ambos os casos, os seus adversários conseguiram virar o estado no segundo turno.

Em 2010, Dilma saiu na frente no primeiro turno com 46.95% dos votos válidos, mas obteve apenas 49.06% no segundo turno, perdendo no estado para seu opositor, o tucano José Serra.

Em 2014, essa cena se repetiu. Dilma saiu na frente contra o tucano Aécio Neves, mas perdeu no Rio Grande do Sul no segundo turno.[11]

Em 2018, o estado deu 52.63% dos votos ao candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro no primeiro turno, e no segundo turno, uma vitória de 63.24% sobre o petista, Fernando Haddad.[12]

O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro que menos acertou a vitória dos presidentes eleitos, tendo votado no candidato vitorioso apenas duas vezes desde a redemocratização. Em 2002, o estado votou majoritariamente em Lula, que foi eleito. A outra vez que o estado acertou o candidato vencedor, foi apenas em 2018 com a eleição de Bolsonaro. Todas as outras vezes o candidato derrotado teve a maioria dos votos no estado. Lula (1989, 1994 e 1998), Geraldo Alckmin (2006), José Serra (2010), Aécio Neves (2014) e Jair Bolsonaro (2022).

Tocantins

Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente a ser eleito sem vencer no Tocantins no segundo turno.

Todos os candidatos petistas venceram no Tocantins desde a eleição presidencial de 2002. A única exceção foi no primeiro turno da eleição presidencial de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro ficou à frente do candidato do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro teve 44.64% dos votos válidos, contra 41.12% de Haddad. Porém, no segundo turno, Haddad virou sobre Bolsonaro e registrou 51.02% dos votos sobre 48.98% do seu adversário, que foi eleito presidente.[13]

No primeiro turno da eleição presidencial de 2022, o Tocantins foi um dos 14 estados que Bolsonaro não conseguiu a maioria dos votos, entretanto, o estado deu o maior percentual a Bolsonaro (44%) de qualquer um desses estados que ele não tenha superado seu adversário, Lula da Silva.[14]

O Tocantins foi o terceiro estado mais competitivo no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, atrás apenas de Amapá e Minas Gerais. Lula superou Bolsonaro por apenas 6.4% dos votos, isto é, uma diferença de 55.109 votos.[15]

Ver também

Referências

  1. R7. «Eleições nos EUA: o que são "swing states" e por que eles importam». Correio do Povo. Consultado em 3 de novembro de 2022
  2. «Os "swing voters" no Brasil (por Ricardo Guedes)». www.metropoles.com. 18 de março de 2022. Consultado em 3 de novembro de 2022
  3. «Swing State à moda mineira -Colunas – Boletim da Liberdade». www.boletimdaliberdade.com.br. Consultado em 3 de novembro de 2022
  4. «Eleição de 2006 - Atlas das Eleições Presidenciais no Brasil». sites.google.com. Consultado em 3 de novembro de 2022
  5. «Avanço da direita bolsonarista deixa PSDB sem espaço no antipetismo». noticias.uol.com.br. Consultado em 3 de novembro de 2022
  6. Nunes, Aline (29 de outubro de 2018). «Bolsonaro venceu Haddad em 64 cidades do Espírito Santo». Gazeta Online. Consultado em 3 de novembro de 2022
  7. «No 2º turno, Bolsonaro vence em 16 estados e Haddad, em 11; nas capitais, placar é de 21 a 6». G1. Consultado em 3 de novembro de 2022
  8. «Confira os detalhes da apuração final dos votos para as eleições presidenciais de 2014». UOL Eleições 2014. Consultado em 3 de novembro de 2022
  9. «Haddad vira em 1 estado e em 117 cidades; Bolsonaro fatura 25 municípios vencidos pelo PT no 1º turno». G1. Consultado em 3 de novembro de 2022
  10. «PT perde 2º turno e chega ao menor percentual de votos em 20 anos». UOL Eleições 2018. Consultado em 3 de novembro de 2022
  11. «Rio Grande do Sul - Presidente - 1º Turno - Apuração - Eleições - 2014 - Especial - Poder - Folha de S.Paulo». eleicoes.folha.uol.com.br. Consultado em 3 de novembro de 2022
  12. «Bolsonaro vence em 407 cidades do RS no 2º turno; Haddad faz mais votos em 90». G1. Consultado em 3 de novembro de 2022
  13. «No 1º turno, Bolsonaro perde em 4 estados onde havia vencido em 2018». noticias.uol.com.br. Consultado em 3 de novembro de 2022
  14. Toledo, Cleber (2 de outubro de 2022). «Lula ganha de Bolsonaro no Tocantins por diferença maior do que na eleição nacional». Coluna do CT. Consultado em 3 de outubro de 2022
  15. «Mapa interativo: veja como foram as votações para presidente e governadores». BBC News Brasil. Consultado em 3 de novembro de 2022
This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.