Wallace Souza
Francisco Wallace Cavalcante de Souza (Manaus, 12 de agosto de 1958 - São Paulo, 27 de julho de 2010), mais conhecido como Wallace Souza, foi um político, apresentador de televisão e brasileiro, acusado de comandar o crime organizado no estado do Amazonas, ao assassinar traficantes e viciados de drogas na Grande Manaus para exibir os casos no programa Canal Livre, apresentado por ele e exibido inicialmente pela então TV Rio Negro (atual TV Bandeirantes Amazonas).
| Francisco Wallace Cavalcante de Souza | |
|---|---|
| Deputado estadual do Amazonas | |
| Período | 1º de fevereiro de 1999 a 1º de outubro de 2009 (3 mandatos consecutivos) |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 12 de agosto de 1958 Manaus, AM |
| Morte | 27 de julho de 2010 (51 anos) São Paulo, SP |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Partido | PDS (1992-1993) PPR (1993-1995) PPB (1995-2001) PL (2001-2004) PP (2004-2009) |
| Profissão | Político e apresentador de televisão |
Sofrendo de ascite, foi internado em estado grave na UTI do Hospital Bandeirantes, São Paulo, vindo a morrer em julho de 2010 em decorrência de uma parada cardíaca.
Biografia
Nascido no estado do Amazonas, teve outros irmãos, Marlucia, Ulisses (também falecido) Carlos Souza e Fausto Souza.
Ingressou na TV com o Canal Livre na TV Rio Negro (hoje TV Bandeirantes Amazonas) em 1996. Ao lado dos irmãos, comandava o programa com casos policiais, mostrando assassinatos, sequestros e operações de repreensão ao tráfico.[1]
Wallace Souza iniciou na política em 1998, como candidato a vereador de Manaus, obteve 898 votos e não foi eleito.[1]
Em 1998 se candidatou a deputado estadual no estado do Amazonas e obteve 51.181 votos pelo PL.
Associação criminal
Em 2008, o ex-policial militar Moacir Jorge Pereira da Costa, conhecido como "Moa", denunciou que Wallace Souza e seu filho, Raphael Souza, comandavam quadrilha de esquadrão da morte e crime organizado no Amazonas.[2] Em depoimento à polícia, diz que ao menos um assassinato foi cometido de acordo com determinação do deputado e gravado pela equipe de seu programa.[3]
No dia 22 de abril de 2009, a Polícia Civil, que investigava desde 2008 as suspeitas de associação ao tráfico e até assassinato de traficantes adversários para exibição no programa de TV, entra na casa do parlamentar e apreenderam grande quantidade de dinheiro e ouro, além de munição.[1]
O filho, Raphael Souza, assumiu ser dono do material e recebeu voz de prisão. A operação foi muito tumultuada, pois Wallace e os irmãos Carlos e Fausto Souza, ao chegarem ao local, tentaram impedir a ação da polícia.[1]
Wallace Souza era investigado pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas. O trio dos irmãos foi logo acusado de associação ao tráfico, mandar matar traficantes adversários apenas para mostrar no programa de TV para aumentar a audiência e liderarem o crime organizado no Amazonas.[1]
Em julho, por determinação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Wallace Souza seria investigado por formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas, porte ilegal de armas e determinar a execução de crimes para que fossem exibidos no programa Canal Livre.[3]
Em 2 de agosto, o programa Fantástico, da Rede Globo, através da reportagem feita da afiliada TV Amazonas, mostrou as graves denúncias (comparando ao "Caso Motosserra" do político no Acre Hildebrando Pascoal), com o nome do "Caso Wallace", tornando o caso conhecido mundialmente.[1]
Cassação
No dia 1º de outubro de 2009, a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) iniciou a sessão de cassação do mandato de Wallace Souza. Vestido de branco e com uma Bíblia nas mãos, Wallace chorou em plena ALE, recebendo o apoio apenas do deputado Wilson Lisboa, presidente da sessão.[1]
Mesmo assim, deputados da ALE-AM cassaram o mandato de Souza, por quebra de decoro parlamentar. Em votação secreta, 16 deputados votaram a favor da perda de mandato. O placar marcou quatro votos contra e três abstenções.[1]
Após o resultado da cassação, Wallace Souza passou mal e foi levado em uma maca a uma audiência na ALE-AM.[1]
Prisão
Sem foro por prerrogativa de função, por ter o mandato cassado, Wallace teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de outubro, por associação ao tráfico. Agentes da Polícia Civil e Federal procuraram o ex-parlamentar por toda cidade de Manaus, chegando a armar barreiras nos portos e aeroportos da capital. Após quatro dias foragido, Wallace se entregou à polícia, em 9 de outubro.[1]
Mesmo sem ter curso superior, Wallace foi levado para uma cela especial no 1º Batalhão da Polícia de Choque, localizado no km 17 da AM 010. A polícia temia pela segurança do acusado.[1]
Outras prisões
Após a cassação de Wallace Souza surgiu o caso de Vanessa Lima, ex-produtora do programa Canal Livre. Ela foi denunciada por Patrícia Almeida, irmã do traficante "Franquezinho do 40", preso no Mato Grosso do Sul, por manter associação com o tráfico de drogas no Amazonas.[4]
Em 11 de novembro de 2009, Vanessa foi ouvida por três horas na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Amazonas. No depoimento, a ex-produtora nega que tenha telefonado para Patrícia e diz que recebeu ligação da irmã do traficante após a prisão de Raphael Souza, filho do ex-deputado, condenado a 11 anos de prisão por associação ao tráfico.[4]
No mesmo dia, o Ministério Público do Amazonas decretou pedido de prisão preventiva de Vanessa Lima, que foi indiciada por associação ao tráfico de drogas no estado.[4] Foi presa na tarde de 10 de dezembro, também sob acusação de associação para tráfico de drogas.[5]
Internações
Após a cassação, a saúde do ex-deputado piorou desde então.
A primeira internação foi no dia 2 de novembro de 2009. Ele deixou a prisão e foi encaminhado à Beneficente Portuguesa, Centro de Manaus. Com dores no abdômen e no tórax, Wallace ficou internado por três meses e meio, quando recebeu alta no dia 16 de fevereiro de 2010 e voltou para casa, para cumprir prisão em regime domiciliar.[1]
No dia 18 de março de 2010, com doença crônica no fígado, foi transferido para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo.[1]
No dia 11 de junho, o quadro clínico de Souza piorou, devido a complicações nos rins e nos pulmões. Wallace deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo, chegando a ficar sob coma induzido e respirando por aparelhos.[1]
Durante todo esse período ele ficou sob guarda de agentes da Polícia Federal. A família de Wallace tentou retirar a escolta policial e até transferi-lo para tratamento em Miami, nos Estados Unidos, mas a Justiça negou os pedidos.[1]
Novas denúncias
Paralelo a isso, no dia 11 de maio de 2010, a produtora e repórter do Canal Livre, Gisele Vaz, afirmou em depoimento prestado na 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecente (2ª Vecute), que participou de pelo menos uma das reuniões em que Wallace Souza tramava, junto a mais três pessoas, o assassinato da juíza federal Jaiza Fraxe.[1]
No dia 7 de julho, o juiz responsável pela investigação do "Caso Wallace", Mauro Antony, declarou que o processo está perto de chegar ao fim. Até aquela data, foram ouvidas 12 réus e testemunhas de defesa. Mauro Antony esperava encerrar o caso em dezembro daquele ano.[1]
Morte
Wallace Souza morreu às 16h do dia 27 de julho de 2010 após sofrer uma parada cardíaca.
O hospital divulgou nota oficial:
O ex-deputado estadual do Partido Progressista (PP-AM), Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, em São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. O paciente sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Os médicos que acompanharam o paciente foram coordenados pelo diretor-clínico Dr. Mário Lúcio Alves Baptista Filho.[6]— Hospital Bandeirantes
Wallace Souza era casado e deixou três filhos.
Na mídia
Em 27 de agosto de 2018, o canal Space lançou a série Pacto de Sangue, ficção que se assemelha ao caso que envolve o apresentador ao retratar um jornalista que provoca crimes em busca de audiência para seu programa de televisão.[7] Wallace Souza e o programa Canal Livre também foram retratados no documentário Bandidos na TV, lançado mundialmente em 31 de maio de 2019 pelo serviço de vídeo sob demanda Netflix, que resume o escândalo criminoso no qual o apresentador esteve envolvido e o processo de cassação do seu mandato como parlamentar.[8]. A série traz depoimentos tanto dos membros da força-tarefa responsável pela investigação, quanto dos familiares e até mesmo o próprio Wallace Souza. Muitas dúvidas são levantadas e no final não é possível definir se o caso tratou-se realmente de crime ou foi uma armação política. [9]
Referências
- Felipe Carvalho (27 de Julho de 2010, 19:05). «Carreira de Wallace Souza teve início fulminante e começou a ruir em 2009». Portal D24 AM. Consultado em 27 de outubro de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - «Morre ex-deputado acusado de encomendar crimes para exibir em programa de TV». Portal Imprensa. 27 de julho de 2010, 19:27. Consultado em 27 de outubro de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - «Deputado é acusado de encomendar crimes para exibir em seu programa de TV». Portal Imprensa. 3 de agosto de 2009, 15:11. Consultado em 27 de julho de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - «Produtora do ex-deputado Wallace de Souza (AM) é indiciada por tráfico». Portal Imprensa. 13 de novembro de 2009, 08:52. Consultado em 27 de julho de 2010. Arquivado do original em 7 de abril de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - «Ex-produtora de programa de TV do ex-deputado Wallace Souza, do AM, é presa». Portal Imprensa. 10 de dezembro de 2009, 19:38. Consultado em 27 de julho de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - «Morre em SP o ex-deputado Wallace Souza». Portal G1. 27 de julho de 2010, 17h32; Atualizado às 18h29. Consultado em 27 de julho de 2010 Verifique data em:
|data=(ajuda) - Campoli, Clara (27 de agosto de 2018). «Saiba tudo sobre Pacto de Sangue, série nacional que estreia no Space». Metrópoles. Consultado em 1 de junho de 2019
- Lemos, Vinícius (31 de maio de 2019). «'Bandidos na TV': Wallace Souza, o apresentador acusado de matar em busca de audiência que virou série da Netflix». BBC News. Consultado em 1 de junho de 2019
- Benedito, Danilo (31 de maio de 2019). «'Netflix coloca duvida sobre a condenação de Wallace Souza em Bandidos na TV'». O Canal. Consultado em 29 de outubro de 2019