Bosque Rodrigues Alves
O Jardim Botânico da Amazônia Bosque Rodrigues Alves, ou simplesmente Bosque Rodrigues Alves (inicialmente chamado Bosque Municipal do Marco da Légua)[1] é uma área de preservação ambiental brasileira localizada no bairro do Marco, na cidade de Belém (estado do Pará), idealizado pelo Barão de Marajó e inaugurado em 1883 na então Província do Grão-Pará (1821–1889). Abriga mais de 80 mil espécies de flora e fauna e recebe, em média, 20 mil visitantes ao mês.[2]
| O Jardim Botânico e Bosque | |
|---|---|
![]() Bosque Rodrigues Alves | |
| Localização | Avenida Almirante Barroso, bairro do Marco, Belém, PA. |
| Tipo | Público |
| Área | 15 hectares |
| Inauguração | 25 de Agosto de 1883 |
| Administração | Prefeitura de Belém |
| Nº de visitas anuais | Todos os dias aberto para visitação. |
| Coordenadas | -1.431067,-48.457958 |
Em 2002, foi elevado a categoria de Jardim Botânico, integrando assim a rede de espaços nacionais e internacionais de preservação natural e histórica, a Botanic Gardens Conservation Internacional (BGCI).[3]
História
O bairro Marco da Légua
Em 1625, devido a posição estratégica do município "Santa Maria de Belém do Grão-Pará" na foz do Amazonas os portugueses instalaram um entreposto fiscal comercial, a Casa de Haver-o-Peso (atual Mercado Ver-o-Peso),[4][5] para arrecadação de impostos dos produtos europeus importados à Belém,[5] e dos extraídos da Amazônia exportados, como as drogas do sertão e a carne bovina do Marajó.[6]
Em 1627, a importância do entreposto elevou-se com a criação da primeira légua patrimonial pelo governador Francisco Coelho; porção de terra de 41 mil m² (iniciando as margens do rios Pará e Guamá) doada pela Coroa Portuguesa à Câmara de Belém, para impulsionar o crescimento do município em direção ao interior,[4][7][8], região do rio Caeté habitada desde 1613 (atual município de Bragança),[9][10] originando assim o bairro Marco da Légua e[11] alavancando um aumento populacional.[12] O crescente aumento da importância da capitania do Grão-Pará acarretou que, em 1654 o Estado do Maranhão foi renomeado para "Estado do Maranhão e Grão-Pará".[12][13]
O parque municipal
Em agosto de 1883, no contexto da Belle Èpoque o Bosque foi inaugurado como um parque municipal, durante o governo Antônio Lemos, na então estrada de Bragança ou estrada do Marco da Légua (atual avenida Almirante Barroso, onde ocorria a construção da Ferrovia Belém-Bragança), marcando o limite da primeira légua patrimonial da cidade, consolidando sua ocupação.[14] O parque idealizado pelo presidente da Província do Grão-Pará José Coelho da Gama Abreu, o Barão de Marajó, inspirado no amplo boulervard parisiense Bois de Bolongne, projetou em Belém uma réplica tropical, que tornou-se símbolo do embelezamento da Capital da Borracha na época (1871),[1][14] conservando até hoje estruturas originais do período em que foi erguido, como obras como o monumento aos Intendentes Municipais, a estátua aos legendários guardiões da floresta Mapinguari e Curupira, o quiosque chinês, o chalé de ferro, a Gruta de Pedra-Sabão e o portão monumental da entrada principal.
Em 1929, o senador e intendente da capital, Antônio de Almeida Facióla (nomeado pelo Governador Eurico de Freitas Vale), restaurou todas as obras de arte e brinquedos existentes no bosque e, concluiu a construção do muro e gradil em seu entrono.[15]
Em 2002, o Bosque foi elevado a categoria de Jardim Botânico, integrando assim a rede de espaços nacionais e internacionais de preservação natural e histórica, a Botanic Gardens Conservation Internacional (BGCI).[3]
Fauna e flora
Contém uma área de 150 mil metros quadrados, é uma área retangular que preserva parte da natureza originária daquela área antes da expansão de Belém na década de 1950, contendo por volta de 85 mil espécies de animais e plantas, sendo que quase a totalidade é recoberta de área preservada, sendo o resto coberto por edificações históricas e vias de exploração.
A vegetação é curiosa e impressionante, por ser constituída da floresta original da época em que o bairro do Marco foi ocupado, uma área preservada desde o inicio do século XX, com plantas e arvores características da Amazônia.
No bosque predominam arvores como a maçaranduba, acariquara e acapu. Conta também com a carapanauba branca, o marupá, o cedro vermelho, além da famosa seringueira, que tanta riqueza trouxe à região em épocas passadas; da andiroba, usada na região para fins medicinais e da majestosa castanheira sapucaia uma das maiores árvores da floresta equatorial
Muitas pessoas deduzem que os espécimes foram plantados nesta área, o que não é verdade, elas só foram preservadas, já estavam ali quando foi finalizado o Bosque, servindo hoje para se se haver uma ideia de como era a floresta original na época em que o Jardim Botânico foi finalizado, já que o resto de mata daquela área não existe mais graças a urbanização; 90% da vegetação é original, ou melhor dizendo, já estavam ali antes da idealização do bosque, e 10 % compreende plantas exóticas plantadas posteriormente.
A fauna é exclusivamente constituída por animais originários da floresta amazônica, tendo animais em cativeiro, ou semi cativeiro, alguns poucos em liberdade, como as pacas; A fauna constitui vários mamíferos, anfíbios, repteis e insetos. Possui um viveiro de pássaros e abriga diversos animais em extinção (criando programas de preservação ambiental das espécies ameaçadas).
Podem-se observar, logo em primeira vista, araras, macacos-prego, tucanos, jandaias-verdadeiras, garças, periquitos-de-asa-branca, jabutis, jacarés, papagaios e ararajubas. E outras espécies em liberdade, como: cutias, macacos-de-cheiro e preguiças.
O bosque conta ainda com um aquário com várias espécies de peixes da Amazônia, como o bengalinha, o acará-bandeira, o rosaceus, a arraia-motoro, o corydoras, o acará-apaiari, o acará-disco, entre outros. Segundo vários estudos feitos por instituições que desejam desenvolver e expandir os conhecimentos sobre a fauna e a flora amazônica, o Bosque tem no total 5 mil árvores, dividas em 50 famílias botânicas, 200 em gênero e 300 em espécimes, além de haver um trabalho sobre o comportamento dos animais no ambiente que é quase um verdadeiro simulador da vida natural.
Referências
- Correa, Homero Vilar (10 de agosto de 2014). «A representação social de áreas verdes em cidades: o caso bosque rodrigues alves - jardim botânico da amazônia». Revista Margens Interdisciplinar (11): 70–88. ISSN 1982-5374. doi:10.18542/rmi.v8i11.3243. Consultado em 17 de setembro de 2020
- «Prefeitura Municipal de Belém: Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves festeja 128 anos». belem.pa.gov.br. 2012. Consultado em 20 de março de 2012
- Lueni Pantoja Souza (2016). "O bosque rodrigues alves como patrimônio cultural: o processo de urbanização de belém e a (res) significação da paisagem urbana" (PDF) ISBN 978.85.99907.07-8. . XVIII Encontro Nacional de Geógrafos.
- Celma Chaves e Ana Paula Claudino Gonçalves (28 de março de 2013). «O mercado público em Belém: arquitetura e inserção urbanística» (PDF). IV Colóquio Internacional sobre o comércio e cidade. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Consultado em 8 de março de 2018
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. «Ver-o-Peso (PA)». Complexo arquitetônico e paisagístico Ver-o-Peso
- «Mercado de carne vai sair em duas etapas». Diário do Pará. Consultado em 27 de fevereiro de 2018
- Andrea de Cássia Lopes Pinheiro (2015). «Caracterização e Quadros de Análise Comparativa da Governança Metropolitana no Brasil: arranjos institucionais de gestão metropolitana» (PDF). Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do Governo do Brasil. Consultado em 9 de março de 2018
- Duarte, Ana Cláudia Cardoso; Neto, Raul da Silva Ventura. A evolução urbana de Belém: trajetória de ambiguidades e conflitos socioambientais. Col: Cadernos Metrópole. [S.l.]: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). ISSN 2236-9996
- Brönstrup,, Silvestrin, Celsi; Gisele,, Noll,; Nilda,, Jacks, (2016). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Col: Ciências da comunicação. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. «História de Bragança, Pará». Consultado em 19 de outubro de 2022
- João Marcio Palheta da Silva e Christian Nunes da Silva. «O traçado da primeira légua patrimonial (LPLP) e da linha de preamar média (LPM) de 1831 da cidade de Belém». Consultado em 9 de março de 2018
- Célia Cristina da Silva Tavares (2006). "A escrita jesuítica da história das missões no Estado do Maranhão e GrãoPará (século XVII)" (pdf) . Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). XII Encontro Regional de História. Acessado em 21/09/2020.
- José Manuel Azevedo e Silva. "O modelo pombalino de colonização da amazónia" (pdf) . Universidade de Coimbra. Acessado em 21/09/2020.
- Belém.com.br; Belém.com.br (12 de janeiro de 2022). «Bosque Municipal: um espaço verde inscrito na história da construção de Belém». Belém.com.br. Consultado em 18 de outubro de 2022
- «O Intendente Senador Antonio Facióla». Laboratório Virtual da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFPA). Universidade Federal do Pará. 24 de setembro de 2011. Consultado em 4 de agosto de 2019

