Linha de Alta Velocidade Lisboa–Madrid

A Linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid é um projeto de uma linha de alta velocidade de tráfego de passageiros, localizada em Portugal e em Espanha, que, se for concluída, ligará as capitais destes dois países em bitola europeia, permitindo uma velocidade máxima de 350 km/h. No lado português, o projeto foi suspenso em 2011 por tempo indeterminado.[1]

LAV Lisboa-Madrid
Linha em construção, perto de Montijo, Estremadura espanhola (2011)
Linha em construção, perto de Montijo, Estremadura espanhola (2011)
Comprimento:640 km
Bitola:Bitola Padrão
Legenda
0,000 Madrid-Chamartín (const.)
Madrid-Atocha
LAV Madrid-Barcelona
Barcelona
14,3 Los Gavilanes
24,4 Parla
LAV Madrid-LevanteValencia
LAV Madrid-SevilhaSevilha
Talavera de la Reina
Navalmoral de la Mata
Plasencia-Fuentidueñas
× Rio Tejo
Cáceres
Ciudad Real
Mérida
Zafra
Mérida (nova)
Badajoz
Elvas/Badajoz (passageiros)
× Rio Caia
Elvas/Badajoz (carga)
L.ª LesteAbrantes
LAV Évora-Faro-Huelva
Huelva (em proj.)
L.ª ÉvoraEstremoz
Évora Norte
R. ReguengosReguengos de Monsaraz
R. MoraMora
Évora
L.ª ÉvoraCasa Branca
L.ª AlentejoFuncheira
L.ª AlentejoBarreiro
L.ª AlentejoFuncheira
L.ª AlentejoBarreiro
L.ª AlentejoFuncheira
Novo Aeroporto de Lisboa
Poceirão-NAL
L.ª AlentejoBarreiro
L.ª AlentejoFuncheira
L.ª AlentejoBarreiro
TTT × Rio Tejo
L.ª MatinhaPorto de Lisboa
L.ª MatinhaLisboa-S.A.
L.ª NortePorto-Campanhã
L.ª NorteLisboa-S.A.
L.ª CinturaBr.º Prata
L.ª CinturaAlcântara-Mar
L.ª NorteLisboa-S.A.
Metro: L.ª Vermelha (Oriente)
Lisboa-Oriente
L.ª NortePorto-Campanhã
LAV Lisboa-Porto
Porto-Campanhã (em proj.)

Os primeiros projetos para construir uma ligação em alta velocidade entre Lisboa e Madrid datam do início da década de 1990;[2][3] em 2003 os governos de Portugal e de Espanha acordaram que a LAV deveria cruzar a fronteira em Elvas/Badajoz.[4] Se em Espanha a construção de linhas de alta velocidade é um assunto relativamente consensual, em Portugal assistiu-se a uma grande controvérsia na sociedade civil sobre a necessidade de dotar o país deste tipo de infraestruturas. No lado português, o governo esteve empenhado na construção da LAV Lisboa–Elvas até 2011; nesse ano, o projeto foi suspenso por tempo indeterminado devido aos efeitos da Grande Recessão.[1] Embora nenhum governo português tenha inteiramente abandonado o projeto da LAV Lisboa–Madrid (e de outras LAV em Portugal), em 2018 este assunto era considerado um "tabu" que estava à espera de melhor altura para ser debatido.[5]

De acordo com o projeto de 2003 (o chamado projeto do "pi deitado"), a LAV Lisboa–Madrid seria uma das 5 linhas de alta velocidade que seriam construídas em Portugal e uma das 4 que atravessaria a fronteira entre este país e Espanha.

Devido ao facto de esta linha estar planeada em bitola europeia (1435 mm), em vez de em bitola ibérica (1668 mm), previa-se que iria facilitar as ligações por ferrovia com o resto da Europa. Os comboios estariam aptos a fazer a ligação entre Lisboa e Madrid a uma velocidade máxima de 350 km/h, percorrendo a distância que separa as duas cidades em 2:45h, num serviço direto. Previa-se inicialmente que a linha estivesse concluída entre 2013 e 2015.

Traçado

O traçado que aqui se apresenta é o que estava previsto nos estudos de impacto ambiental realizados na década de 2000. É de notar que este traçado pode sofrer alterações se o projeto vier a ser retomado.

A linha teria uma extensão de 640 km (203 km em Portugal e 437 km em Espanha) e seria construída em bitola europeia, permitindo uma velocidade máxima de 350 km/h. A linha seria em via dupla e eletrificada em toda a sua extensão a 25 kV AC, 50 Hz.

Esta Linha de Alta Velocidade iria iniciar-se em Madrid, na estação de Atocha, sendo comum à LAV Madrid-Sevilha até perto da localidade manchenga de Pantoja, onde as duas linhas férreas divergem. A LAV atravessaria o noroeste da comunidade autónoma de Castela-La Mancha, bem como a Estremadura, possuindo estações em Talavera de la Reina, Navalmoral de la Mata, Plasencia e Cáceres.

A linha prosseguia então para sul, em direção a Mérida, cidade esta que seria servida por um ramal proveniente da linha principal. A partir de Mérida, a linha iria curvar para oeste, na direção da fronteira luso-espanhola. Na fronteira existiria, perto da aldeia de Caia, uma estação internacional, com conexão com a rede convencional, que serviria as cidades de Badajoz e de Elvas. A estação internacional seria composta por um terminal de passageiros, localizado no lado espanhol, e por um terminal de mercadorias, no lado português.

Em Portugal, entre a estação internacional e Évora, as 2 vias da linha férrea em bitola europeia passariam a ser acompanhadas por uma 3.ª via, em bitola ibérica, que estava destinada principalmente ao acesso das mercadorias ao porto de Sines. A LAV Lisboa–Madrid atravessava as planícies do Alentejo, contornando a Serra de Ossa por sul, alcançando a estação de Évora Norte. Esta estação seria comum com a LAV e com a convencional Linha de Évora (Casa Branca-Estremoz), sendo aqui que a 3.ª via da LAV iria encaixar na restante rede convencional portuguesa. O acesso dos passageiros ao centro de Évora seria feito por um shuttle que ligaria a nova estação de Évora com a já existente que está localizada no centro da cidade. Isto obrigaria à reabertura para passageiros do troço encerrado da Linha de Évora, entre a atual estação de Évora e a nova. Seria igualmente na estação de Évora Norte que a LAV Lisboa-Madrid se iria juntar à também planeada LAV Évora-Faro-Huelva, com destino ao Algarve e ao sudoeste de Espanha.

No Poceirão (Palmela), a LAV Lisboa–Madrid faria conexão com a já existente Linha do Alentejo, dando assim acesso à planeada Plataforma Logística do Poceirão. Seria igualmente perto desta localidade que iria sair um ramal para o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), que estava previsto ser construído no Campo de Tiro de Alcochete. No local de intersecção deste ramal com a LAV e a Linha do Alentejo, iria existir uma estação de passageiros, a estação ferroviária de Poceirão-NAL.

Após o Poceirão, a LAV contornava a estação de Pinhal Novo e, na zona do Lavradio, entrava na Terceira Travessia do Tejo, com cerca de 7 km. Na cidade de Lisboa, a LAV seria paralela à convencional Linha do Norte durante cerca de 2 km, alcançando depois a estação do Oriente. Nesta estação a LAV Lisboa-Madrid iria conectar-se com a rede convencional e com a planeada LAV Lisboa-Porto.

Construção

A construção estava prevista que começasse em 2010, e que os primeiros comboios circulassem entre Lisboa e Madrid em 2013[6].

A construção foi adiada em 2011 devido aos efeitos da Grande Recessão e da crise da dívida pública da Zona Euro nos dois países.[7][8]. A construção do troço entre Poceirão e a fronteira com Espanha (em Caia) estava orçada em cerca de 1500 milhões de euros[9][10].

Em 2012, a linha foi substituída pela promessa de um comboio rápido. A partir de 19 julho de 2022, passará a existir uma ligação ferroviária diária entre Badajoz e Madrid que vai encurtar a viagem em 51 minutos. No entanto, a nova infraestrutura ainda não está eletrificada e não poderá ultrapassar os 180 quilómetros por hora[11].

Estudos de Impacto Ambiental

Referências

  1. Almeida Correia, Raquel (28 de junho de 2011). «TGV Lisboa/Madrid suspenso, novo aeroporto reavaliado». Público. Consultado em 24 de maio de 2018
  2. Rede de TGV em Lisboa e Porto com ligação a Madrid. RTP. 17 de dezembro de 1990. Consultado em 24 de maio de 2018
  3. Rede ferroviária portuguesa com TGV dentro de dez anos. RTP. 18 de dezembro de 1990. Consultado em 24 de maio de 2018
  4. «Portugal e Espanha de acordo sobre o TGV». Público. 26 de setembro de 2003. Consultado em 24 de maio de 2018
  5. Cipriano, Carlos (27 de abril de 2018). «TGV: o "tabu" que ressuscita sempre e volta a morrer por falta de dinheiro». Público. Consultado em 24 de maio de 2018
  6. «Rede Ferroviária de Alta Velocidade, SA». Consultado em 14 de junho de 2011. Arquivado do original em 13 de janeiro de 2010
  7. Luisa Pinto: Financiamento rodoviário vai ser revisto e TGV, apesar de reavaliado, mantém-se para já, Público, 16 de novembro, 2010
  8. Inês Sequeira: Governo deve aproveitar crise para fazer pausa no TGV, dizem os especialistas, Público, 4 de novembro, 2010
  9. http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=465831
  10. Arranque das obras marcado para Fevereiro/Março de 2011, RTP, 8 de novembro, 2010
  11. «Comboio de alta velocidade que liga Madrid a Badajoz pode prolongar-se até Lisboa»
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