Linha do Norte

A Linha do Norte é uma ligação ferroviária entre Lisboa e Porto, sendo considerada a mais importante de Portugal. Tem um comprimento de 336 km, das estações de Lisboa-Santa Apolónia a Porto-Campanhã, que ficam distantes 274 km entre si em linha reta. A linha é em via dupla, exceto 15 km de via quádrupla à saída de Lisboa, entre as estações de Lisboa-Oriente e Alverca, e está totalmente electrificada.

Linha do Norte
Predefinição:Info/FerroviaPT
Estação de Santa Apolónia, Lisboa, início da Linha do Norte
Informações principais
Extensão 336 km
Especificações da ferrovia
Bitola bitola ibérica
1 668 mm (5,47 ft)
Mapa da ferrovia
Linha do Norte
Legenda
000000 Linha do Minho
000000 Linha do MinhoValença
Linha do MinhoPorto-São Bento
336,079 Porto-Campanhã
336,079 Porto-Campanhã
Metro: (Campanhã)
000000 Linha do Minho
000000 Túnel da China I      
335,082
334,850
Viaduto de Campanhã (232 m); T. Seminário I (114 m)
334,850 Ramal da AlfândegaPorto-Alf.
Ponte de D. Maria Pia ➀ × Av. Paiva Couceiro
334,350 Ponte de São João ➁ (500 m) × DouroPRTVNG
334,350
333,943
Viaduto de General Torres (407 m); (➀ traj. abd.)
333,749
333,520
Túnel da Serra do Pilar II (229 m)
333,342 General TorresMetro: (G.Torres)
(proj. orig. 1866, abd.)
× R. C. Reis
× R. Choupelo
× R. B.º C.P.
× R. Serpa Pinto
332,239 V. N. de Gaia (Devesas)
× Vª Eng. E. Cardoso
× R. Machado Santos
330,943 Coimbrões
× A1
× R. Entre-Muros
329,979 Desvio da Madalena
× R. Pitada
329,319 Madalena
× R. Apeadeiro
× R. Ant.º F. Sousa
Fáb. Cerâmicas Valadares
327,800 Valadares
× R. J. M. C. Portugal
× R. Medeiros
× Av. Francelos
325,365 Francelos
× R. Pedras
× R. Moutadas
× Av. V. Gama
323,815 Miramar
× R. N. Mira
× R. Redondelo
322,500 ZN Aguda
× Av. P. Aguda ∥ Av. S. Cabral ∥ R. Ervideiro
× R. Caçadores
321,808 Aguda
× R. J. Correia
× R. Eirado
× R. J. R. Melo
320,394 Granja
× R. Praia Nova
× R. M. Vento
× acesso ped. praia
× acesso ped. praia
× R. 66
(traç. ant.)
Espinho(est. ant.)
316,792 Espinho
316,792 Espinho
PN × Rua 15
(túnel / traç. ant.)
Espinho-Vouga
000000 Linha do Vouga
314,992 Silvade
313,313 Paramos(Aer. Espinho)
311,900 Esmoriz
309,376 Cortegaça
307,544 Carvalheira-Maceda
R. MacedaBase Aérea (des.)
300,776 Ovar
296,973 Válega
293,759 Avanca
290,900
Esterreja Amoníaco
290,190
287,421 Estarreja
284,815 Salreu
283,383 Canelas
279,997
279,743
Ponte do Vouga (254 m) × Rio Vouga
279,466
Portucel Cacia
278,718 Cacia
278,718 Cacia
276,249
Plataforma de Cacia
274,684
× R. Liberdade
000000 Ramal do Porto de Aveiro
274,222
273,974
Ponte de Esgueira (248 m) × Ria de Aveiro
000000 Ramal de Aveiro
Ramal de Aveiro-MarCanal do Cojo
Ramal C. São RoqueCanal de São Roque
272,676 Aveiro
272,676 Aveiro
266,008 Quintãs
258,046 Oiã
252,240 Oliveira do Bairro
248,482 Paraimo
244,643 Mogofores
242,455 ZN Curia
241,652 Curia
240,653 Aguim
236,086 Mealhada
R. Fig. FozF. Foz
000000 Linha da Beira Alta
231,303 Pampilhosa
231,303 Pampilhosa
220,403 Cimpor
224,971 Souselas
224,971 Souselas
222,097 Vilela - Fornos
220,490 Adémia
220,403 Moacir
217,294 Coimbra - B
217,024 Ramal de Coimbra
Coimbra
Ramal da LousãLousã (des.)
216,780
216,690
P.te Mondego V.º (93 m) × Mondego
216,483
216,380
P.te Mondego N.º (187 m) × Mondego
215,201 Bencanta
213,800 Espadaneira
212,562 Casais
211,159 Taveiro
208,544 Vila Pouca do Campo
206,916 Amial
P.te Arzila × R.ª Cernache
203,318 Pereira
201,211 Formoselha
198,339 Alfarelos
198,339 Alfarelos
000000 Ramal de Alfarelos
191,365 Vila Nova de Anços
188,378 Ponte do Mocate (83 m) × Rib. Mocate
Quimigal Soure
185,347 Soure
185,347 Soure
183,080 ZN Soure
181,947 Ponte do Simões (66 m) × Rib. Simões
180,137 Simões
175,316 Pelargia
169,604 Pombal
167,739 Pombal-Resguardo
165,500 Aeródromo do Pombal
161,232 Vermoil
155,616 Litém
149,293 Albergaria dos Doze
148,052
147,391
Túnel de Albergaria (661 m)
139,011 Caxarias
136,000 ZN Caxarias
132,514 Seiça-Ourém
132,080 Ponte do Seiça (61 m) × R. Seiça
130,695
130,370
T. Chão Maçãs (650 m)
129,563 Chão de Maçãs-Fátima
125,240 Fungalvaz
122,900 Fungalvaz-Resguardo
120,678 Paialvo
114,736 Ramal de Tomar
114,736 Ramal de Tomar Tomar
114,413 Lamarosa
× R. Inf. Sagres
106,858 Linha da Beira Baixa
× V.º E. D. Poitout
× R. Eug.º Andr.; × R. 5 Out.
EMEF; Fernave; TVT
106,302 Entroncamento
106,302 Entroncamento (museu)
104,560 MSC
L.ª T. Novas a Alcanena(dem.)
102,095 Riachos-Torres Novas-Golegã
× estr. Relvas
093,654 Mato de Miranda
088,361 Ponte do Alviela (61 m) × R. Alviela
EPAC
083,826 Vale de Figueira
074,400 Santarém
074,400 Santarém (museu)
071,000 Aeródromo de Santarém
060,031 Ponte da Asseca (104 m) × Rib. Asseca
Ramal de Rio MaiorR. Maior
066,291 Vale de Santarém
065,310 ZN Vale Sant.
063,186 Santana-Cartaxo Resguardo
060,300 Santana-Cartaxo
057,775 C.ª Setil NorteL.ª Vendas Novas
000000 Linha Vendas Novas
056,634
056,400 Setil
056,400 Setil
054,292 Reguengo-Vale Pedra-Pontével
059,934 Virtudes
046,945 Azambuja
046,945 Azambuja
044,458
043,196 Espadanal da Azambuja
040,553 Vila Nova da Rainha
038,237 Carregado-Norte
036,456 Carregado
034,736 Castanheira do Ribatejo
034,234 Castanheira do Ribatejo
P.te Carmona × EN10Tejo
032,860 subestação VFX
030,164 Vila Franca de Xira
Quinta das Torres
pass. aérea
× R. F. F. Reis
pass. aérea
× R. Hq. Taveira
026,014 Alhandra
026,014 Alhandra
pass. aérea
Cimpor
021,810 Alverca
021,810 Alverca
021,165
020,511
× R. Lezírias
017,470 Póvoa
016,928 Sodapóvoa
pass. aérea
× IC2
014,904 Santa Iria
× EN 10IC2
pass. aérea
013,843 Bobadela Norte
Interface da Bobadela
× Canal da Bobadela
11,013 Bobadela
010,438 Bobadela Sul
× ponte particular Galp
pass. aérea
× acesso IC2EN 10
× acesso EN 10IC2
× Rio Trancão
× R. D. J. Morais
009,625 Sacavém
Sacavém-Louças
Linha de Sacavém
Porto de Lisboa
× Av. Inf. D. Henrique (= IC2)
× acesso IC2
× Ponte Vasco da Gama
× Av. Peregrinação
pass. aérea
7,644 Moscavide
× Av. Boa Esperança / R. J. P. Ribeiro
006,800 Olivais
006,480 Oriente
006,480 Oriente
Metro: L.ª Vermelha (Oriente)
× Av. Pádua / Av. Ulisses
× R. Cors. Ilhas
× Av. M. Gomes da Costa
005,300 Cabo Ruivo
003,992 Braço de Prata
003,992 Braço de Prata
× Av. Inf. D. Henrique
× R. V. Formoso Cima
000000 Linha de Cintura
Poço do Bispo(dem.)
× P.º Marialva
× Cç. Dq. Lafões
× Cç. Grilo
001,643 C.ª de Xabregas
Viaduto de Xabregas × Lg. Mq. Nisa
Linha de SacavémPorto de Lisboa
Lisboa-Santa Apolónia (P.M.O.)
Av. Mz.º Albqq.
000000 Linha da Matinha
(pj. abd. 1912)
000,000 Lisboa-Santa Apolónia
Metro: Linha Azul (Santa Apolónia)
Sul e SuesteLinha do Alentejo
(proj. abd.)
Cais do Sodré
Linha de CascaisCascais

A Linha do Norte serve a região mais populosa de Portugal: cerca de 6,7 milhões de pessoas, 63% da população de Portugal, vive a menos de 35 km em linha reta duma estação principal (servida por comboios intercidades).[1] A linha serve também populações de outras regiões, pois constitui a espinha dorsal da rede ferroviária portuguesa, ligando as linhas a sul de Lisboa às linhas a norte do Porto e estas às Linhas da Beira Baixa e Beira Alta. Em 2023 os comboios mais rápidos, do serviço Alfa Pendular ligam Lisboa-Santa Apolónia a Porto-Campanhã em duas horas e 58 minutos, com paragens em Lisboa-Oriente, Coimbra-B, Aveiro e Vila Nova de Gaia. Os comboios do serviço Intercidades, que param em onze estações intermédias, levam três horas e vinte e dois minutos. Cerca de dezoito comboios Alfa Pendular e Intercidades em cada sentido ligam diariamente Lisboa e Porto. A linha é ainda usada por comboios de mercadorias, regionais e suburbanos de Lisboa e Porto. No total, em cada dia útil a Linha do Norte é usada por cerca de 720 comboios (mercadorias e passageiros).[2]

História

Ver artigo principal: História da Linha do Norte

As obras para a construção da ligação ferroviária entre Lisboa ao Porto e à fronteira iniciaram-se em 17 de Setembro de 1853,[3] tendo o primeiro troço, até ao Carregado, sido aberto à exploração em 29 de Outubro de 1856.[4] A Linha do Norte foi concluída com a inauguração da Ponte de D. Maria Pia, no dia 5 de Novembro de 1877.[5] Em 24 de Junho de 1991, entrou ao serviço a Ponte de São João,[6] e, em 1998, a Gare do Oriente, em Lisboa.[7]

Fases da Construção[8]

Entre as Estações Extensão Inauguração
LisboaCarregado36,5 km28 de Outubro de 1856
Carregado – Virtudes14,5 km31 de Julho de 1857
Virtudes – Santana-Cartaxo23,8 km28 de Abril de 1858
Santana-Cartaxo – Ponte Ferroviária de Asseca8,2 km29 de Junho de 1858
Ponte de Asseca – Santarém5,9 km1 de Julho de 1861
Santarém – Entroncamento31,9 km7 de Novembro de 1862
Entroncamento – Soure79,0 km22 de Maio de 1864
Soure – Taveiro25,8 km7 de Julho de 1864
Taveiro – Estarreja76,3 km10 de Abril de 1864
Estarreja – Vila Nova de Gaia44,8 km8 de Julho de 1863
Vila Nova de Gaia – Porto-Campanhã (Ponte de Maria Pia)3,8 km5 de Novembro de 1877

Caracterização

Resumo de Velocidades Permitidas
Nota: a Tabela de velocidade não incluiu os afrouxamentos existentes em determinadas zonas pontuais.
Troçovel. máx. perm. / km/h
deaAPIC
PortoGaia120
Gaia80
GaiaOvar140-120
OvarAveiro220200
Aveiro220200
AveiroPampilhosa220 200
Pampilhosa60
Pampilhosa Coimbra 160-140 140-120
Coimbra50
CoimbraAlfarelos160-140140-120
AlfarelosPombal200-140160-110
PombalEntroncamento200200-160
Entroncamento100
EntroncamentoV.Santarém160-120140-120
V.SantarémV.F.Xira220200
V.F.XiraAlhandra120
AlhandraMoscavide200180
MoscavideL.Oriente160
L.OrienteLisboa-S.A.100

Descrição

A Linha do Norte é a espinha dorsal do sistema ferroviário português. Esta importante via férrea, com 336,050 quilómetros de extensão, é a mais modernizada do País em infraestruturas e material circulante, e a sua construção contribuiu enormemente para o desenvolvimento das povoações por ela abrangidas.[9]

Saindo de Lisboa pela zona mais oriental da cidade, a partir da mais antiga estação do País, a Estação de Santa Apolónia, e passando logo depois pela principal estação ferroviária de Lisboa e do país, a Estação do Oriente, segue sempre junto ao Tejo, na direcção nordeste, atravessando e servindo localidades densamente urbanizadas da região da Grande Lisboa, tais como Sacavém, Bobadela, Alverca e Vila Franca de Xira. De seguida, seguindo ainda na direcção nordeste, entra pelas belas paisagens das lezírias ribatejanas, atravessando e servindo localidades como Azambuja, Cartaxo, Santarém e Torres Novas. Pouco depois, na interface do Entroncamento, dá ligação à Linha da Beira Baixa que, liga a Abrantes, Castelo Branco e Covilhã e, também dá ligação ao Ramal de Tomar, que, termina no centro da mesma cidade. No Entroncamento, vira de nordeste para norte, de onde entra num percurso rural e montanhoso, mas bonito de se ver, até à zona de Coimbra, passando por localidades como Caxarias, Ourém e Pombal. Serve Coimbra com uma estação situada perto do centro da cidade, a estação de Coimbra-B, da qual é possível fazer transbordo para um ramal de 2 km onde circulam regularmente comboios regionais e urbanos até à estação de Coimbra, que dá acesso directamente ao centro da cidade. De seguida, mais para norte, entra numa zona que é um misto de rural e indústria. Passa junto a parques industriais como Souselas, Pampilhosa (onde liga com a Linha da Beira Alta, dando acesso a localidades como Santa Comba Dão, Nelas, Celorico da Beira, Guarda, entre outras, e consequentemente a Espanha e à Europa), Aveiro e Ovar. Entre Ovar e Vila Nova de Gaia, segue junto ao mar, apenas interrompida em Espinho, cuja nova estação é subterrânea. No concelho de Vila Nova de Gaia atravessa de novo uma zona densamente urbanizada, já no Grande Porto. A entrada na cidade invicta é feita pela Ponte de São João, em que durante a travessia, se pode vislumbrar a panorâmica bela que é a zona histórica do Porto. O seu extremo norte é na estação de Campanhã, de onde segue para a Linha do Minho.

Obras de arte principais

Ponte D. Maria Pia
Ponte D. Maria Pia
Ver artigo principal: Ponte de D. Maria Pia
Ponte de São João
Ver artigo principal: Ponte de São João


Estações e apeadeiros


Referências literárias

No romance Emigrantes, de Ferreira de Castro, o autor descreveu a chegada do personagem principal a Lisboa, vindo de navio, e a sua viagem de comboio do Rossio até Espinho:

Ver também

Referências

  1. População, dada pelo censo de 2011 do Instituto Nacional de Estatística, dos municípios com sede e mais de metade do território a menos de 35 km duma estação principal.
  2. «PLANO DE INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURAS FERROVIA 2020 - MODERNIZAÇÃO DA LINHA DO NORTE» (PDF). IP - Infraestruturas de Portugal, S.A. 12 de Abril de 2017. Consultado em 3 de Janeiro de 2018
  3. TORRES, 1958:10
  4. VIEGAS, 1988:61
  5. TORRES, 1925:12
  6. REIS et al, 2006:189
  7. TAVARES e ESTEVES, 2000:111-114
  8. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 27 de Fevereiro de 2013
  9. Os Comboios em Portugal, em: José Ribeiro da Silva e Manuel Ribeiro (2008)

Bibliografia

  • CASTRO, Ferreira de (1988) [1928]. Emigrantes 24.ª ed. Lisboa: Guimarães Editores, Lda. 292 páginas
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X
  • TAVARES, João; ESTEVES, Joaquim (2000). 100 Obras de Arquitectura Civil no Século XX: Portugal 2.ª ed. Lisboa: Ordem dos Engenheiros. 286 páginas. ISBN 972-97231-7-6
  • VIEGAS, Francisco José (1988). Comboios Portugueses. Um Guia Sentimental. Lisboa: Círculo de Editores. 185 páginas

Leitura recomendada

  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas

Ligações externas


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