Estação Ferroviária de Coimbra-B

A Estação Ferroviária de Coimbra-B, originalmente denominada apenas de Coimbra, e popularmente chamada Estação Velha, é uma gare da Linha do Norte e do Ramal da Lousã, localizada na cidade e no concelho de Coimbra, em Portugal. A construção de uma gare ferroviária na Linha do Norte que servisse a cidade de Coimbra foi considerada prioritária durante o planeamento da linha,[4] tendo sido inaugurada em 10 de Abril de 1864.[5] É uma das duas estações principais na cidade, sendo a outra a estação de Coimbra ou Coimbra-A, situada no centro urbano.[6] O ramal entre estas duas estações entrou ao serviço em 18 de Outubro de 1885.[7]

Gare de Coimbra-B, em 2013
Coimbra-B
Identificação:[1] 36004 COB (Coimbra-B)
Denominação: Estação de Coimbra-B
Classificação: E (estação)[2][3]
Linha(s):
Coordenadas: 40°13′30.74″N × 8°26′26.51″W

(≍+40.22521;−8.4407)

(mais mapas: 🌍)
Concelho: Coimbra
Serviços: APICRIRSEULCH
Conexões:
2T 5 5F 5T 14 19A 20 20T 22 22F 25 25T 27 27F 28 28F 29 30 30A 30F 30T 35 36 36F 36T 39 50 50M 50S 50T 51
Equipamentos:
Inauguração: 3 de agosto de 1864 (há 158 anos)
Website:
Alfa Pendular em Coimbra-B, em 2012
Gare de Coimbra-B, em 2013
 Nota: Este artigo é sobre a estação na Linha do Norte. Para a estação central de Coimbra, no Ramal da Lousã, veja Estação Ferroviária de Coimbra.

Caracterização

Localização e acessos

Situa-se junto à Rua do Padrão, na freguesia de Eiras, concelho de Coimbra.[8]

A cidade de Coimbra é um dos principais centros urbanos servidos pela Linha do Norte, sendo um dos três pólos de comboios suburbanos naquele eixo.[9]

Descrição física

Segundo o Directório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em 6 de Janeiro de 2011, a estação de Coimbra B contava com cinco vias de circulação, com comprimentos entre os 400 e 240 m; as gares tinham 223 a 297 m de extensão e 45 a 95 cm de altura.[10]

História

Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Antecedentes

Na década de 1840, o governo de Costa Cabral iniciou o primeiro impulso para o desenvolvimento dos transportes em Portugal, tendo uma empresa britânica apresentado, em 1845, várias propostas para linhas férreas em Portugal, incluindo uma de Alhandra ao Porto, passando por Coimbra.[11]

Planeamento

Posteriormente reiniciou-se o planeamento dos caminhos de ferro em território nacional, tendo-se novamente dado primazia às linhas que ligassem a capital ao Porto e à fronteira com Espanha.[12] No caso da Linha do Norte, que deveria ligar as duas principais cidades no país, Coimbra foi considerada como um ponto intermédio essencial, devido à sua importante posição como um centro económico, judiciário e administrativo, tendo o traçado da linha sido alterado de forma a melhor servir a cidade.[12]

Horario das Linhas do Norte e Leste em 1876, incluindo a estação de Coimbra

Inauguração

Esta interface entrou ao serviço no dia 10 de Abril de 1864, com a denominação de Coimbra, como parte do lanço da Linha do Norte entre Estarreja e Taveiro.[13][5]

Após a inauguração, começaram a ser realizados serviços mistos, ligando Coimbra a Vila Nova de Gaia e Taveiro.[13]

Planeamento e construção do Ramal de Coimbra

Inicialmente, a Linha da Beira Alta foi planeada de forma a iniciar-se na estação de Coimbra, tendo os primeiros estudos, por Boaventura Vieira, feito a via férrea seguir pelo vale de Coselhas, passar a Portela de Santo António num túnel e depois continuar na direcção de Santa Comba Dão.[12] Posteriormente, o engenheiro Francisco Maria de Sousa Brandão elaborou um novo traçado, que fazia a linha sair em reversão da estação de Coimbra, e seguir depois para Miranda do Corvo.[12] Embora desta forma a construção da linha fosse mais dispendiosa, iria melhorar as ligações entre Coimbra e a Beira Alta, reforçando a sua importância como um centro regional.[12] Assim, uma lei de 26 de Janeiro de 1876 confirmou o início da Linha da Beira Alta na estação de Coimbra, mas devido a vários problemas com este traçado, o ponto de entroncamento com a Linha do Norte foi modificado para a Pampilhosa por uma lei de 23 de Março de 1878.[5] Em compensação, a empresa responsável pela construção daquela via férrea, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, deveria instalar um ramal desde a Estação Velha até ao centro da cidade.[5]

No entanto, em 1882, esta obra ainda não tinha sido iniciada, devido a conflitos entre a Companhia da Beira Alta e o estado português.[5] Desta forma, Os direitos para a construção e gestão do Ramal de Coimbra foram passados para a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1883,[12] que o inaugurou no dia 18 de Outubro de 1885.[5][14]

Horário da Linha do Norte em 1933

Décadas de 1920 e 1930

Durante a preparação do novo plano da rede ferroviária, em 1927, foi proposta a adaptação do Ramal da Lousã para bitola estreita, e a alteração do seu traçado até Coimbra-B, de forma a eliminar a sua passagem pelas ruas da cidade até à estação central.[12] Em Coimbra-B seria construída uma gare de via estreita, que serviria não só os comboios do Ramal da Lousã, mas também para as planeadas linhas de Penacova, até Santa Comba Dão, e de Cantanhede, até Aveiro, aproveitando o Ramal de Aveiro-Mar.[12] No Plano Geral da Rede Ferroviária, introduzido pelo Decreto 18:190, de 28 de Março de 1930, foram classificados os projectos para as duas linhas, mais a futura linha até Arganil pela Lousã.[15][16] No entanto, estes planos foram cancelados devido à crise dos caminhos de ferro em Portugal.[12]

Em 1934, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses realizou obras de ampliação na estação de Coimbra-B.[17]

Década de 1960

O troço entre Pombal e Coimbra-B foi adaptado à tracção eléctrica em Outubro de 1963, no âmbito de um programa de electrificação da Linha do Norte.[18] Em 17 de Outubro, o Conselho de Administração da C. P. autorizou que os comboios rebocados por locomotivas a vapor fossem substituídos por automotoras eléctricas, no lanço entre o Entroncamento e Coimbra.[19] O lanço seguinte da Linha do Norte, até à Pampilhosa, foi electrificado em 20 Março de 1964.[19]

Estação de Coimbra-B em 2003

Em 7 de Dezembro de 1967, foram oficialmente terminadas as obras de instalação dos novos equipamentos de sinalização entre Coimbra e Pampilhosa, permitindo desta forma a circulação dos comboios com bloco automático até Aveiro.[19]

Década de 1980

Na década de 1980, a empresa Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa para a modernização dos sistemas de sinalização e controlo de tráfego na Linha do Norte, tendo em 1989 sido lançado o primeiro concurso para a remodelação do bloco automático entre as estações de Coimbra B e Pampilhosa.[20]

Ferrovias e similares em Coimbra
SMTUC CP/IP + MM (2006– ⚒)
elétrico (1911–1980)*
trólei (1947–)*
elevador (2001–)
(* fonte ~1971 =)
L.ª Norte (1857–)
R. Coimbra (1885–)
R. Lousã (1906–2006) MM
“L.ª Hospital” MM

Século XXI

Em Dezembro de 2011, o Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários criticou as obras que então estavam em curso nesta estação, nomeadamente as alterações na passagem desnivelada na zona Sul.[21]

Referências literárias

Ainda havia uma neblina fria e húmida em toda a região, mas logo que abandonámos a terra baixa e penetrámos nos montes e bosques, o sol começou a mostrar-se. Na estação de Coimbra luzia ele com quentes raios meridionais, e que estes também brilhavam no povo era aí bem visível. Tão grande era a agitação, tal o ruído e o comportamento das pessoas tão selvático, que mais parecia o da gente de uma cidade napolitana. Os cocheiros das carruagens caíram virtualmente sobre nós e sobre as nossas coisas. [...] Foi uma verdadeira luta para conseguirmos entrar juntos numa carruagem.

Hans Christian Andersen, Uma Visita a Portugal em 1866, p. 72-72
Fomos a até a Estação Velha — o Carlos e eu, e os três que seguiam no Correio para o sul. O comboio vinha atrasado — sinal da guerra, as máquinas movidas a lenha pareciam lesmas em cima de vidro. »(…)« Os corretores dos hotéis anunciavam já Hotel Astória, Coimbra Hotel, Bragança, um mercadorias, quase de surpresa, entrava de Alfarelos, ainda trazia a cauda na ponte. O chefe, de bandeira debaixo do braço, saíra agora mesmo do telégrafo, o Correio já partira de Souzelas, estava a dar entrada. Nós cosidos aos poucos com as linhas de uma operação de grande cirurgia, tremíamos cá por dentro. Um vago soluço que a alma transportava não se sabe para onde, coisas que ficam para sempre a pairar na natureza, e que de vez a vez são trovoada. E tudo aquilo fora uma trovoada. O comboio da Lousã, encostado mesmo ali na plataforma em que iríamos embarcar de novo para a Babaouo, deitava vapor, aos esguichos, buffbuffbuff, de enevoar o pessoal; criava nuvens, que víamos passar longe, no destino dos que vão para a Lousã.
Houve mais conversa. Foram palavras de plataforma, iguais a todas as conversas de boa viagem, de já tens o bilhete, não percas tempo, de chegar atrasado, de escrever logo que a vida esteja arrumada. »(…)«
O comboio com uma luz no focinho entrava na estação. Trazia a puxá-lo, uma máquina 500, com apito bem característico, lenha empilhada, e vendas de cada lado do bojo.

Ruben A., O Mundo à minha Procura

Ver também

Comboios em Coimbra
(Serviços ferroviários pesados suburbanos e
regionais de passageiros, na região de Coimbra)

em operação • extinto em 2010
ext. anunc. 2020 • extinto em 2009


 
 
(ã) Lobazes 
 Moinhos (ã)
(ã) Miranda do Corvo 
 Trémoa (ã)
(ã) Padrão 
 Vale de Açor (ã)
(ã) Meiral 
 Ceira (ã)
(ã) Lousã-A 
 Conraria (ã)
(ã) Lousã 
 Carvalhosas (ã)
(ã) Prilhão-Casais 
 S. José (Calhabé) (ã)
(ã) Serpins 
 Coimbra-Parque (ã)
(ã) Coimbra 
 
 
 
(ã)(n) Coimbra-B 
 
(n) Souselas 
 
(f)(n) Pampilhosa 
 Bencanta (n)
(f) Mala 
 Espadaneira (n)
(f) Silvã-Feiteira 
 Casais (n)
(f) Enxofães 
 Taveiro (n)
(f) Murtede 
 V. Pouca Campo (n)
(f) Cordinhã 
 Ameal (n)
(f) Cantanhede 
 Pereira (n)
(f) Limede-Cadima 
 Formoselha
(f) Casal 
 Alfarelos (a)(n)
(f) Arazede 
 Montemor (a)
(f) Bebedouro 
 Marujal (a)
(f) Liceia 
 Verride (a)
(f) Santana-Ferreira 
 Reveles (a)
(f) Costeira 
 Bif. de Lares (a)(o)
(f) Alhadas 
 Lares (o)
(f) Carvalhal 
 Fontela (o)
(f) Maiorca 
 Fontela-A (o)
 
 Figueira da Foz (f)(o)

Linhas: a R. Alfarelosf R. Figueira da Foz
ã R. Lousãn L.ª Norteo L.ª Oeste
Fonte principal: Diagrama oficial (2001)

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. Instrução de Exploração Técnica N.º 50. INTF («Entrada em vigor 11 de Dezembro de 2005»): p.5
  4. MARTINS et al, 1996:16
  5. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 21 de Setembro de 2013
  6. MARTINS et al, 1996:129
  7. MARTINS et al, 1996:249
  8. «Coimbra B - Linha do Norte». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 6 de Maio de 2017
  9. MARTINS et al, 1996:207
  10. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85
  11. «80 Anos de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 48 (1173). 1 de Novembro de 1936. p. 507-509. Consultado em 22 de Março de 2014
  12. SOUSA, José Fernando de (16 de Junho de 1940). «Coimbra e os Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1260). p. 371-373. Consultado em 22 de Abril de 2018
  13. «Escada Rolante: Há 104 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 81 (1931). 16 de Novembro de 1968. p. 152. Consultado em 20 de Junho de 2012
  14. REIS et al, 2006:12
  15. PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado na Série I do Diário do Governo n.º 83, de 10 de Abril de 1930.
  16. SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 8 de Março de 2014
  17. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 8 de Março de 2014
  18. «Otros países, otras noticias». Via Libre (em espanhol). 2 (24). 1 de Dezembro de 1965. p. 24
  19. MARTINS et al, 1996:270
  20. MARTINS et al, 1996:158
  21. «Coimbra: Sindicato ferroviário critica obras na estação Coimbra-B». C Notícias. 31 de Dezembro de 2011. Consultado em 20 de Junho de 2012 [ligação inativa]

Bibliografia

  • ANDERSEN, Hans Christian (1984). Uma Visita a Portugal em 1866 2.ª ed. Lisboa: Instituto da Cultura e Língua Portuguesa. 134 páginas
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X

Leitura recomendada

  • ANTUNES, J. A. Aranha; et al. (2010). 1910-2010: o caminho de ferro em Portugal. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e REFER - Rede Ferroviária Nacional. 233 páginas. ISBN 978-989-97035-0-6
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4
  • VILLAS-BOAS, Alfredo Vieira Peixoto de (2010) [1905]. Caminhos de Ferro Portuguezes. Lisboa e Valladollid: Livraria Clássica Editora e Editorial Maxtor. 583 páginas. ISBN 8497618556
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas

Ligações externas

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